Oruam
(Imagem: Reprodução / Internet)
Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), revelaram que Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, repassou à mãe, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, uma orientação dada por seu pai, o chefe do Comando Vermelho (CV) Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP.
A mensagem, que trazia a instrução para “fechar a política”, foi interceptada no celular de Márcia durante uma operação deflagrada em abril para apurar a movimentação financeira da facção.
O recado teria sido repassado pelo músico após uma visita ao pai no Presídio Federal de Campo Grande (MS), em março de 2025, evidenciando a suspeita de que o presidiário mantém capacidade de interferir em atividades políticas e territoriais sob controle do grupo criminoso.
O relatório policial aponta que as trocas de mensagens no núcleo familiar expõem disputas internas e o uso direto da influência do líder do CV mantido em presídio de segurança máxima.
Em um dos diálogos, Márcia comenta que seu outro filho, Lucas Nepomuceno, estaria utilizando o prestígio do pai em benefício próprio, gerando questionamentos de Oruam sobre o acesso a esses recursos.
O documento da DRE, contudo, não detalha quais campanhas ou partidos específicos seriam afetados pela ordem dada por Marcinho VP, nem identifica políticos envolvidos no esquema.
Transações da "caixinha" do tráfico
Além do alinhamento político e da disputa por influência, as apurações expuseram a dependência financeira da família em relação à contabilidade do crime organizado.
Registros de conversas indicam que Oruam esteve no Complexo do Alemão para recolher valores referentes à "caixinha" pertencente ao pai, expressão utilizada pela facção para definir o caixa central mantido pelos traficantes.
A polícia aponta que os irmãos e a mãe mantinham contato direto com cúpulas do CV, a exemplo de lideranças conhecidas como Doca e Abelha.
A documentação da Polícia Civil reúne ainda solicitações diretas de dinheiro feitas por Márcia a integrantes do Comando Vermelho para arcar com gastos pessoais e domésticos.
Em uma das ocasiões, a companheira de Marcinho VP pediu R$ 10 mil a uma das lideranças para quitação de cartão de crédito, além de repasses que somaram R$ 28 mil direcionados a um chá de bebê e à compra de móveis.
Todos os valores solicitados deveriam ser abatidos posteriormente da cota atribuída ao chefe da facção. As defesas dos citados não foram encontradas para comentar os achados da investigação.
Formada pela Universidade dos Guararapes, possui uma trajetória marcada pela diversidade de editorias, tendo atuado por dois anos no caderno de Esportes e por um ano nas editorias de Política e Vida Urbana.
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