Unicef cobra políticas públicas focadas em prevenção primária e apoio às famílias no Brasil.
(Imagem: gerado por IA)
O Brasil registra diariamente a perda trágica e violenta de seis crianças ou adolescentes. Diante desse cenário alarmante, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiu um alerta urgente aos candidatos à Presidência da República para que coloquem a prevenção no centro de suas propostas de governo.
Ao analisar os planos eleitorais das principais candidaturas, a agência internacional identificou que, embora o combate à violência seja citado, a maioria das promessas foca em remediar o problema após o crime acontecer, em vez de evitar que ele ocorra.
Na prática, o Unicef defende que a proteção infantojuvenil exige respostas personalizadas para as diferentes realidades sociais do país, reconhecendo que grupos historicamente marginalizados sofrem impactos desproporcionais.
O que está por trás do abismo nas propostas de prevenção
O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, ressalta que o país avançou significativamente em várias áreas sociais nas últimas décadas, mas a violência contra menores continua sendo uma chaga grave. Para ele, proteger os jovens requer políticas ativas de educação, assistência social e o robustecimento das estruturas familiares.
Uma das soluções sugeridas no estudo é a implementação prática da chamada "parentalidade protetiva". A ideia consiste em capacitar agentes públicos de saúde e assistência para que possam orientar pais e cuidadores a adotarem práticas de criação não violentas diretamente em suas rotinas.
Além disso, a entidade defende a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes. Essa estrutura integraria a segurança pública a áreas vitais como emprego, trabalho e ensino, reduzindo as vulnerabilidades sociais que expõem os jovens à criminalidade.
Como a violência atinge de forma desigual as crianças brasileiras
Os números por trás do apelo internacional são brutais. No último ano registrado, 2.079 menores de idade perderam a vida de forma violenta no país, sendo a ampla maioria composta por adolescentes homens e negros, evidenciando uma profunda desigualdade racial e de gênero.
O ambiente doméstico também se mostrou hostil. Dados do último Anuário de Segurança Pública revelam que os maus-tratos a menores em casa saltaram para mais de 38 mil casos, mais do que o dobro do período anterior. Foram registrados ainda 61 mil estupros cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.
Diante disso, o Unicef critica o fato de os planos eleitorais tratarem a infância de forma homogênea. A ausência de estratégias específicas para crianças negras e indígenas, que enfrentam os maiores riscos, enfraquece a eficácia de qualquer política pública proposta.
O que propõem os principais presidenciáveis
O levantamento minucioso mapeou 178 menções a crianças e adolescentes nas diretrizes dos candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO).
Os planos de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema concentram-se principalmente em medidas punitivas e de resposta direta aos atos de violência. Já Ronaldo Caiado prioriza a investigação e a penalização dos criminosos, embora acene com propostas intersetoriais de prevenção em seu texto.
Por outro lado, a plataforma de Lula foca majoritariamente em ações preventivas estruturais de caráter social. O candidato Renan Santos foi o único que não trouxe menções explícitas e estruturadas ao tema em suas diretrizes públicas.
O veredito do Unicef deixa claro que o futuro social do Brasil depende de uma mudança drástica de postura na próxima gestão federal. Investir em proteção integral e prevenção primária não é apenas uma escolha política, mas uma necessidade urgente para salvar vidas e garantir a dignidade das futuras gerações.