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Acervo

Rio de Janeiro busca imóvel para salvar arquivos históricos do antigo IML abandonados na Lapa

O governo do Rio de Janeiro busca um imóvel para abrigar temporariamente o acervo histórico do antigo IML, que guarda registros da ditadura militar.

13 ago 2026 - 13h10 Joice Gomes   atualizado às 13h12
Rio de Janeiro busca imóvel para salvar arquivos históricos do antigo IML abandonados na Lapa Fachada do antigo IML na Rua dos Inválidos, centro do Rio de Janeiro, alvo de operação para resgatar acervo histórico. (Imagem: Marcelo Del Negri/MPF-RJ)

A corrida para salvar décadas de história sensível do Brasil ganhou um novo capítulo com a busca urgente do governo do Rio de Janeiro por um imóvel capaz de abrigar o acervo do antigo Instituto Médico Legal (IML). A medida tenta conter a deterioração de documentos raros que, até recentemente, enfrentavam o abandono em um prédio degradado na Lapa, região central da capital fluminense.

O Arquivo Público do Estado concluiu mais uma fase de retirada dos papéis que estavam sob a guarda da Polícia Civil. No entanto, a autarquia esbarrou em um problema logístico crônico: a falta de espaço físico próprio para receber o imenso volume de documentos históricos.

Na prática, a solução temporária exige uma infraestrutura rápida para evitar que relatórios de autópsias, laudos periciais e registros da repressão política se percam definitivamente.

O que está por trás do resgate histórico

O acervo em questão não é composto apenas por burocracias arquivadas, mas sim por páginas cruciais da memória nacional. Entre os papéis resgatados estão prontuários e registros de óbito que cobrem períodos sombrios, como o Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar iniciada em 1964.

A gravidade da situação veio à tona após anos de descaso público com o antigo prédio da Rua dos Inválidos. O ápice do abandono ocorreu quando uma parte dos documentos históricos foi flagrada sendo arremessada pelas janelas da edificação, gerando indignação de historiadores e ativistas.

Diante do escândalo, uma força-tarefa liderada pelo Ministério Público Federal (MPF), com o apoio da Polícia Federal e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), interveio para estancar as perdas e catalogar o que restou de microfilmes e pastas funcionais.

Como isso afeta a preservação da memória nacional

Para garantir que o material resgatado receba o tratamento técnico adequado, o governo estadual costura parcerias estratégicas com o meio acadêmico. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) já manifestaram interesse em assumir frações do acervo.

Em conjunto com o Arquivo Público, a Unirio elaborou um plano detalhado focado na higienização, restauração e digitalização das pastas. Além do apoio científico, a iniciativa atrai o interesse de investidores dispostos a financiar as ações de salvaguarda documental.

Mas o impacto vai além do meio acadêmico. A preservação desses dados representa a manutenção de provas materiais sobre violações de direitos humanos, assegurando que futuras gerações e familiares de vítimas tenham acesso à verdade histórica.

O que pode acontecer a partir de agora

Com o avanço das tratativas, a expectativa é que o novo endereço temporário seja anunciado nas próximas semanas, permitindo o início do tratamento técnico especializado nas universidades federais fluminenses.

A destinação final de todo o acervo continua sendo o Arquivo Público do Estado, mas essa transferência definitiva só ocorrerá após a conclusão das obras de ampliação de seus depósitos.

Garantir a integridade desse patrimônio não é apenas uma obrigação legal do Estado, mas um compromisso ético com a transparência pública. O desfecho dessa busca por um novo lar para a história do IML determinará se o Rio de Janeiro conseguirá, finalmente, tratar seu passado com a dignidade que ele exige.

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