A redução do desmatamento direto no Brasil em 2025 é a maior das últimas duas décadas, segundo novos dados globais.
(Imagem: gerado por IA)
O Brasil acaba de consolidar um marco ambiental decisivo: em 2025, o país reduziu a perda de suas florestas primárias em impressionantes 42%. O dado, revelado nesta quarta-feira (29) pelo Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI), aponta que a destruição de florestas tropicais úmidas caiu para 1,6 milhão de hectares, um recuo drástico em comparação ao ano anterior.
Na prática, o país atingiu o nível mais baixo de perdas não relacionadas a incêndios, como o corte raso e o desmatamento criminoso, desde que os registros começaram, em 2001. Essa mudança de cenário não é apenas um número estatístico; ela reflete uma alteração profunda na fiscalização e no controle territorial nos biomas mais sensíveis do território nacional.
Mas o impacto vai além das fronteiras brasileiras. Como o Brasil detém a maior fatia de florestas tropicais do planeta, esse desempenho doméstico foi o principal motor para que as perdas globais também despencassem 35% no mesmo período. É um sinal claro de que, quando o Brasil age, o mundo respira melhor.
O que muda na prática com a queda dos índices
A retração nos índices de desmatamento foi puxada por um desempenho sólido em estados estratégicos. Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima foram os protagonistas dessa queda, respondendo por mais de 40% de toda a redução registrada no país. Por outro lado, o Maranhão destacou-se negativamente como o único estado a apresentar crescimento na perda de cobertura arbórea.
Um ponto central para entender esses dados é a metodologia. Diferente do Prodes, sistema oficial brasileiro que foca no desmatamento por corte raso, o monitoramento do Global Forest Watch utiliza dados da Universidade de Maryland para detectar qualquer perda de cobertura, incluindo mortes naturais e corte seletivo. Mesmo com métricas mais rigorosas, a tendência de queda é incontestável.
E é aqui que está o ponto central: a redução está diretamente alinhada aos esforços de fiscalização intensificada. O governo federal, em conjunto com estados e o setor privado, implementou uma força-tarefa que envolveu desde a remuneração por serviços ambientais até a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), garantindo que a preservação também faça sentido econômico para as comunidades locais.
O desafio que permanece: o impacto do fogo e o futuro
Apesar do otimismo com o fim das motosserras em muitas áreas, o clima impõe um obstáculo severo: os incêndios. Enquanto o desmatamento por ação humana direta caiu, a perda de florestas causada pelo fogo permanece em níveis alarmantes, sendo a terceira maior desde o início da série histórica. A fumaça, inclusive, dificultou a leitura dos satélites, o que sugere que os números de 2025 ainda podem sofrer ajustes para cima.
Globalmente, a expansão agrícola para a produção de commodities continua sendo a principal vilã das florestas tropicais, especialmente na Bolívia e na República Democrática do Congo. O Brasil, embora lidere a redução, ainda é o país que mais perde floresta em números absolutos, o que mantém a pressão internacional e a necessidade de manter o pé no acelerador das políticas de conservação.
O caminho para a meta de reverter a perda florestal até 2030 ainda é longo e íngreme. Especialistas alertam que o mundo está 70% acima do nível necessário para cumprir os compromissos climáticos. O exemplo brasileiro em 2025 mostra que a reversão é possível, mas a vulnerabilidade das florestas às mudanças climáticas exige que a estratégia de preservação seja tão resiliente quanto os biomas que busca proteger.