Presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, de 38 anos
(Imagem: Facebook/divulgação)
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, de 38 anos, deixou o país após a emissão de uma ordem de prisão contra ele por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e organização criminosa. O Brasil é apontado pelas autoridades bolivianas como um possível destino do magistrado, mas seu paradeiro ainda não foi confirmado oficialmente.
A ordem de prisão foi emitida pelo Ministério Público da Bolívia em 3 de novembro. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, confirmou a medida e informou que a instituição pretende solicitar à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) a emissão de uma notificação vermelha para tentar localizar Saucedo.
Segundo as autoridades, existe a suspeita de que o magistrado tenha atravessado a fronteira terrestre para deixar o território boliviano. Entretanto, os registros migratórios não confirmaram oficialmente essa saída, e as investigações continuam.
Por que Romer Saucedo é investigado na Bolívia?
A investigação envolve suspeitas de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa. A ordem de prisão foi fundamentada em dispositivos da legislação boliviana que tratam desses crimes.
O procedimento está sob sigilo, segundo o Ministério Público, devido à existência de testemunhas protegidas. Até o momento, as autoridades não divulgaram publicamente todos os detalhes sobre a suposta participação de Saucedo nas atividades investigadas.
O procurador-geral interino confirmou que a ordem está em vigor e afirmou que serão adotadas medidas para viabilizar a busca internacional pelo magistrado.
Saucedo, por sua vez, nega as acusações. Em manifestação nas redes sociais, afirmou que deixou a Bolívia acompanhado da família e classificou a decisão como um exílio. Também acusou o governo do presidente Rodrigo Paz de promover perseguição política e disse temer pela própria segurança.
Brasil aparece como possível destino do magistrado
A possibilidade de Saucedo estar no Brasil surgiu após as autoridades bolivianas levantarem a hipótese de que ele tenha deixado o país por uma passagem terrestre, sem registro migratório de saída.
O Ministério Público pretende recorrer à Interpol para ampliar as buscas e tentar identificar a localização do presidente do Tribunal Supremo de Justiça.
Uma notificação vermelha da Interpol é um alerta internacional utilizado para solicitar a localização e a detenção provisória de uma pessoa procurada por um país, conforme a legislação de cada nação. O mecanismo não equivale, por si só, a uma condenação ou a uma ordem automática de prisão em todos os países.
Até a divulgação das informações pelas autoridades bolivianas, não havia confirmação oficial de que Saucedo estivesse em território brasileiro.
Magistrado afirma ser vítima de perseguição política
Antes de deixar o país, Saucedo publicou uma manifestação na qual afirmou que não encontrava garantias para permanecer na Bolívia. Ele também alegou que poderia ser alvo de intimidações e de uma tentativa de fabricação de provas para prejudicar sua imagem.
O magistrado relacionou a investigação a uma suposta perseguição promovida pelo governo de Rodrigo Paz. As acusações foram negadas pelas autoridades como justificativa para a ordem de prisão, que, segundo o Ministério Público, decorre de uma investigação criminal.
O caso ocorre em meio a outras apurações envolvendo integrantes do sistema de Justiça boliviano e suspeitas de ligações com o narcotráfico. Nos últimos meses, autoridades do setor também foram alvo de investigações e operações policiais.
Quem assume o Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia?
Com a ausência de Saucedo, a decana Rosmery Ruiz foi designada para assumir interinamente a presidência do Tribunal Supremo de Justiça.
A situação do magistrado também pode ter consequências administrativas dentro do Judiciário boliviano. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o tribunal estabeleceu um prazo para que ele retorne às funções, sob risco de medidas relacionadas ao possível abandono do cargo.
Enquanto isso, a investigação criminal continua, e as autoridades tentam esclarecer o paradeiro de Saucedo e avançar na apuração das suspeitas de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa.