Cabine de vídeo receberá novas atribuições técnicas para revisar escanteios e cartões a partir deste ciclo mundial.
(Imagem: © Rodrigo Corsi / FPF / Direitos reservados)
O ordenamento jurídico do futebol internacional passará por sua mais profunda reformulação prática desde a consolidação das tecnologias de arbitragem de vídeo. A International Football Association Board (IFAB), entidade reguladora que detém a salvaguarda das leis do esporte global, chancelou um pacote de emendas normativas estruturadas especificamente para o ciclo do próximo Mundial da FIFA. O conjunto de medidas visa asfixiar táticas de antijogo, reduzir o tempo de paralisações artificiais e garantir maior dinamismo ao espetáculo nas arenas dos Estados Unidos, México e Canadá.
Ampliação do escopo tecnológico na cabine de vídeo
A principal mudança técnica reside na flexibilização do protocolo de intervenção remota. Desde a sua implementação oficial, o sistema operava sob um rígido teto de quatro cenários analíticos: validação de gols, checagem de penalidades máximas, aplicação de cartões vermelhos diretos e correções em casos de erro de identidade na identificação de atletas punidos. Para a temporada de 2026, os juízes de vídeo receberão atribuições inéditas para corrigir distorções em lances de impacto imediato na dinâmica dos confrontos.
A ampliação e o novo modelo de uso do VAR serão regidos pelas seguintes diretrizes operacionais:
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Correção de Escanteios: O sistema poderá retificar tiros de canto assinalados erroneamente pela equipe de campo, contanto que o processo de checagem seja célere e não comprometa o fluxo do jogo;
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Revisão de Expulsões por Duplo Amarelo: Pela primeira vez na história, o árbitro de vídeo estará autorizado a revisar jogadas que resultem na aplicação do segundo cartão amarelo e consequente exclusão do atleta;
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Critério de Restrição: A essência do protocolo original permanece inalterada, mantendo o foco exclusivo em lances considerados determinantes para os rumos do placar;
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Interface de Campo: O árbitro principal retém a soberania da decisão final, utilizando os dados da cabine para sanar os chamados erros claros e manifestos.
Ofensiva cronometrada contra o desperdício de tempo
Além da inteligência de vídeo, a IFAB mirou os comportamentos estratégicos voltados a retardar o reinício das partidas. Os goleiros, frequentemente associados a essas táticas, passarão a ser submetidos a um controle rigoroso de retenção: caso segurem a bola por mais de oito segundos dentro da grande área, será assinalado um escanteio a favor do time adversário, com o juiz sinalizando visualmente os últimos cinco segundos da contagem. Tiros de meta e arremessos laterais também receberão um cronômetro regressivo de cinco segundos, sob pena de inversão de posse ou concessão de escanteio em caso de descumprimento.
A logística de substituições e o atendimento médico de atletas lesionados completam o cerco ao antijogo. Jogadores substituídos terão uma janela máxima de dez segundos para cruzar a linha lateral após a sinalização do quarto árbitro; caso estoure o tempo, o substituto só poderá ingressar na próxima paralisação, deixando o time em desvantagem numérica temporária. Da mesma forma, atletas que demandarem maca ou atendimento médico em campo serão obrigados a aguardar na linha lateral por pelo menos um minuto após o reinício do confronto, coibindo simulações táticas nos minutos derradeiros.
Embora o pacote prometa acelerar o ritmo dos jogos, analistas esportivos apontam pontos cegos na nova redação das regras. A principal crítica recai sobre a brecha concedida aos goleiros no protocolo de atendimento médico, já que as restrições de afastamento de um minuto não se aplicam integralmente a eles. Críticos argumentam que defensores ainda poderão recorrer a quedas simuladas de seus arqueiros para esfriar momentos de pressão do adversário. A própria IFAB admitiu a existência desse gargalo e sinalizou a necessidade de realizar testes complementares em torneios futuros para mitigar esses atrasos táticos específicos.