Portos brasileiros registram intensa movimentação de soja e minérios, garantindo saldo positivo em maio.
(Imagem: gerado por IA)
O Brasil exportou US$ 7,823 bilhões a mais do que importou em maio, um resultado que reflete a força bruta do agronegócio e da mineração no cenário global. De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o saldo comercial registrou um avanço de 10,8% em comparação ao mesmo período de 2025, garantindo fôlego extra para as contas nacionais.
Este desempenho não é apenas um número isolado; trata-se do quarto maior superávit para meses de maio desde o início da série histórica, em 1989. O fluxo total de mercadorias movimentou montantes expressivos: as exportações alcançaram US$ 31,904 bilhões, enquanto as compras externas somaram US$ 24,081 bilhões. Na prática, isso mostra que, apesar das incertezas internacionais, a demanda por produtos brasileiros continua aquecida.
O que muda na prática com o avanço das exportações
O protagonismo do mês ficou dividido entre o campo e as minas. A soja, principal estrela da pauta exportadora, registrou uma alta de 14,6% nas vendas, impulsionada por uma safra robusta e pela valorização dos preços no mercado externo. Mas a grande surpresa veio do subsolo: o minério de cobre teve um salto impressionante de 149,4%, compensando as quedas observadas no minério de ferro e no petróleo.
No caso do petróleo, a situação é mais complexa e revela as nuances das políticas internas. O volume exportado caiu 42,1%, influenciado por uma alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação, criada para estabilizar os preços internos de combustíveis. Embora o preço médio do barril tenha subido devido aos conflitos no Oriente Médio, a menor quantidade embarcada resultou em um recuo financeiro de US$ 390,8 milhões no setor extrativo.
Como isso afeta o acumulado do ano e as projeções
Olhando para o cenário ampliado, os cinco primeiros meses de 2026 já acumulam um saldo positivo de US$ 32,662 bilhões. Esse valor é 34,2% superior ao registrado no ano anterior, sinalizando que a balança comercial caminha para um encerramento de ano sólido. Uma curiosidade técnica ajuda a explicar esse salto: em 2025, o Brasil importou uma plataforma de petróleo caríssima em fevereiro, operação que não se repetiu este ano, deixando o saldo mais 'limpo'.
Mas o impacto vai além das exportações. As importações também cresceram 5,3%, com destaque absoluto para o setor automotivo. A compra de veículos de passageiros do exterior disparou 80,1%, indicando uma retomada do consumo interno e maior apetite por tecnologia estrangeira. E é aqui que está o ponto central: o equilíbrio entre vender alimentos e minérios para comprar produtos manufaturados de alto valor agregado.
O que pode acontecer a partir disso
Para o fechamento de 2026, o Governo Federal mantém o otimismo e projeta um superávit total de US$ 72,1 bilhões. Contudo, o mercado financeiro, consultado pelo Boletim Focus do Banco Central, está ainda mais esperançoso, prevendo um saldo de US$ 76,2 bilhões. Essa divergência positiva se deve, em parte, à valorização das commodities causada pela instabilidade geopolítica global.
O futuro da balança comercial brasileira dependerá agora da estabilidade dos preços das commodities e da capacidade de absorção do mercado interno. Com a atualização das projeções detalhadas prevista para julho, o investidor e o setor produtivo devem monitorar de perto as taxas de câmbio e os desdobramentos dos conflitos internacionais, que continuam sendo os principais regentes do comércio exterior brasileiro.