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Qua, 10 de Junho
Finanças

Senado enfrenta pressão para votar pisos salariais de garis, médicos e funcionários da educação

31 mai 2026 - 21h17 Alexsander Arcelino
Vista ampla do painel eletrônico e das bancadas do Plenário do Senado Federal durante a sessão de votação noturna. Plenário do Senado conclui votação de projeto voltado à desoneração da folha e empregabilidade juvenil. (Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O Plenário do Senado Federal converteu-se no ponto focal de uma intensa articulação corporativa e política nas últimas semanas. Parlamentares de diversas matrizes partidárias vêm pressionando a presidência da Casa para pautar projetos que regulamentam remunerações mínimas para variadas categorias profissionais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, assumiu o compromisso de convocar uma reunião de líderes para ordenar o cronograma de votações, mas alertou que o avanço das matérias está condicionado à identificação clara das fontes de custeio.

O gatilho do magistério e o estrangulamento municipal

A onda de reivindicações ganhou tração após a aprovação da Medida Provisória (MP) 1.334/2026, convertida no Projeto de Lei de Conversão (PLV) 4/2026. O texto, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e relatado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), fixou o piso dos professores da educação básica pública em R$ 5.130,63 para o ano de 2026. A medida representou um crescimento de 5,4% frente ao valor de 2025, assegurando um ganho real de 1,5 ponto percentual acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Apesar do ganho social, gestores municipais manifestam forte preocupação com o impacto financeiro, estimado em R$ 6,4 bilhões caso seja integralmente cumprido por todos os estados e municípios. Em audiências públicas, representantes da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos relataram que os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) costumam se esgotar antes do encerramento do ano civil, forçando as prefeituras a aportarem receitas próprias e estrangulando os limites fiscais previstos para outras áreas, como a saúde.

Diante desse cenário, a tônica da presidência do Senado tem sido a prudência. Alcolumbre enfatizou que a criação de pisos salariais não pode ocorrer de forma isolada, demandando ampla negociação com os três níveis governamentais. O senador pontuou que muitos projetos apontam para as mesmas fontes de receita, o que exige um pente-fino contábil para evitar o colapso das contas públicas.

Demandas em destaque na fila de votação

Abaixo, detalham-se os principais projetos que concentram as atenções do Plenário e das comissões temáticas:

  • Apoio Escolar (PL 2.531/2021): Propõe um piso equivalente a 75% do valor do magistério (cerca de R$ 3.847) para merendeiras, secretários e auxiliares de limpeza de escolas públicas. O texto já passou pela Câmara e aguarda análise dos senadores;

  • Garis e Margaridas (PL 4.146/2020): De autoria do senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) e defendido abertamente pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), estabelece uma remuneração mínima nacional de R$ 3.036 para profissionais de limpeza urbana e coleta de resíduos;

  • Médicos e Dentistas (PL 1.365/2022): Proposto pela senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB) e relatado por Fernando Dueire (PE), fixa o piso em R$ 13.662 para jornadas de 20 horas semanais. A matéria foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e cumpre turnos regimentais;

  • Ajuste na Enfermagem (PEC 19/2024): Capitaneada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), a proposta de emenda constitucional visa recalcular o piso da categoria (hoje atrelado a 44 horas) para uma jornada base de 36 horas semanais, sem redução proporcional dos valores.

O histórico da enfermagem como espelho fiscal

As idas e vindas do piso nacional da enfermagem servem de lição prática para o parlamento sobre os riscos de aprovações sem lastro financeiro. Promulgado originalmente em 2022, o piso teve sua aplicação suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à ausência de indicação orçamentária. A situação só foi pacificada após a promulgação de uma nova emenda constitucional que autorizou o uso do Fundo Social e a abertura de crédito especial de R$ 7,3 bilhões pela União para subsidiar os entes públicos e hospitais filantrópicos. No setor privado, contudo, a implementação segue fragmentada e dependente de acordos de convenção coletiva.

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