FMI revisa projeções e aponta desaceleração global com melhora para o Brasil
(Imagem: Jason Szenes EFE)
O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo a projeção de crescimento da economia global para 2026, em meio às incertezas provocadas por conflitos no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o relatório trouxe uma avaliação mais positiva para o Brasil, que pode se beneficiar do cenário atual.
De acordo com o estudo mais recente, a economia global deve crescer 3,1% em 2026, abaixo da estimativa anterior de 3,3%. A revisão reflete os impactos das tensões envolvendo países estratégicos, como Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente no mercado de energia.
Conflitos pressionam economia global
Segundo o FMI, o aumento das tensões geopolíticas tem potencial para afetar diretamente os preços do petróleo, as cadeias produtivas e a confiança dos investidores. Esse cenário amplia os riscos para a economia global, podendo levar a uma desaceleração mais intensa.
No cenário considerado mais provável, o conflito teria duração limitada, com o preço médio do petróleo girando em torno de US$ 82 por barril em 2026. Mesmo assim, a tendência é de crescimento mais lento.
Em hipóteses mais pessimistas, com o petróleo ultrapassando US$ 100, o mundo pode se aproximar de uma recessão. Já em um cenário mais severo, com preços ainda mais elevados, a inflação global poderia superar 6%, exigindo medidas mais rígidas dos bancos centrais.
Brasil tem projeção revisada para cima
Enquanto a economia global enfrenta desafios, o Brasil aparece como uma exceção no relatório. A previsão de crescimento do país foi elevada de 1,6% para 1,9% em 2026.
Esse movimento está diretamente ligado ao perfil da economia brasileira, que se beneficia da exportação de commodities, especialmente petróleo. Com a valorização desses produtos no mercado internacional, o país tende a aumentar sua receita externa.
Mesmo com a revisão positiva, o crescimento ainda é considerado moderado. Para 2027, a expectativa é de expansão de 2%, influenciada por fatores como custos mais elevados e condições financeiras mais restritivas.
Cenário das grandes economias
Entre as principais economias do mundo, os Estados Unidos devem registrar crescimento de 2,3% em 2026, com leve desaceleração no ano seguinte. A Europa enfrenta um cenário mais desafiador, pressionada pelos custos de energia.
A China deve crescer cerca de 4,4%, mantendo ritmo superior ao de outras grandes economias, enquanto o Japão apresenta expansão mais modesta, próxima de 0,7%.
Economia global mais sensível
O FMI alerta que o cenário atual torna a economia global mais vulnerável a choques externos. A continuidade ou intensificação dos conflitos pode gerar impactos ainda mais significativos no crescimento, na inflação e nos mercados financeiros.
Nesse contexto, o desempenho mais favorável do Brasil é visto como pontual e dependente das condições internacionais, especialmente do comportamento dos preços das commodities.