Crescimento de voos diretos e interesse por gastronomia impulsionam brasileiros em Portugal.
(Imagem: gerado por IA)
Mais de 160 mil brasileiros atravessaram o Atlântico com destino a Portugal apenas no primeiro bimestre deste ano. O dado, que representa um salto de 30% em relação ao mesmo período de 2023, revela que a conexão entre os dois países vive um novo momento de efervescência, impulsionada por fatores que vão muito além da herança cultural compartilhada.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística de Portugal, o interesse brasileiro não apenas cresceu, mas mudou de perfil. Se antes Lisboa era o destino quase exclusivo, agora o Norte de Portugal, liderado pela cidade do Porto, assume o protagonismo com um aumento impressionante de 40% na procura. Somente em fevereiro, 40 mil brasileiros escolheram a região para suas férias ou negócios.
Este movimento não é por acaso. A tendência, segundo autoridades de turismo portuguesas, é que a alta continue ao longo de março e atinja seu ápice durante o verão europeu. Na prática, o Brasil saltou da sexta para a segunda posição no ranking de principais emissores de turistas para o norte português, perdendo apenas para a vizinha Espanha.
O que muda na prática com a expansão das rotas aéreas
Um dos pilares dessa explosão turística é a conectividade aérea. O aumento da oferta de voos diretos e novas rotas saindo de capitais brasileiras facilitou o acesso e estimulou a concorrência. Além da tradicional malha da TAP, que agora atende cidades como Curitiba e São Luís, outras companhias entraram forte na disputa pelo passageiro brasileiro.
A Azul, por exemplo, consolidou trechos entre Campinas e o Porto, além de reforçar sua operação a partir do Recife. No horizonte próximo, a Gol também sinaliza novas rotas para Lisboa e estuda operações para o Porto. Essa descentralização dos voos tira a obrigação de o viajante passar obrigatoriamente por grandes hubs, economizando tempo e, muitas vezes, reduzindo o custo final da viagem.
Por que Portugal se tornou o porto seguro do viajante brasileiro
Mas o impacto vai além da facilidade logística. O cenário econômico e geopolítico global também joga a favor da terrinha. Com a recente estabilidade do câmbio frente ao euro e ao dólar, muitos brasileiros começaram a antecipar o planejamento das férias de meio de ano. A percepção de custo-benefício em Portugal, especialmente na gastronomia e hotelaria, continua sendo uma das mais competitivas da Zona do Euro.
Outro fator decisivo é a busca por segurança. Diante de cenários turbulentos em outras regiões da Europa, Portugal se consolida como um destino estável e acolhedor. E é aqui que está o ponto central: o turista atual não quer apenas os pontos turísticos tradicionais; ele busca experiências ligadas à gastronomia, literatura e vinhos, nichos nos quais o norte do país é especialista.
O que podemos esperar a partir disso é uma consolidação de Portugal não apenas como porta de entrada da Europa, mas como um destino de permanência. A facilidade do idioma, aliada a um investimento pesado em infraestrutura turística fora das capitais, garante que o recorde de 2024 seja apenas o início de um ciclo de crescimento sustentado para o turismo bilateral.