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Ter, 06 de Outubro
Combustível

Especialistas apontam impacto da privatização da BR na alta dos combustíveis

14 mar 2026 - 19h34 Alexsander Arcelino   atualizado às 19h38
Reservatórios de combustível em instalação industrial no Brasil Especialistas apontam impactos da privatização da distribuição de combustíveis no Brasil. (Imagem: Marcello Casal Jr Agência Brasil)

Especialistas do setor de petróleo e entidades da área energética afirmam que a recente alta nos preços dos combustíveis em alguns postos pode estar relacionada à privatização da BR Distribuidora.

Em cidades como São Paulo, há relatos de postos comercializando gasolina por até nove reais o litro, mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias.

Segundo analistas, a venda da antiga subsidiária da Petrobras reduziu o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de distribuição de combustíveis, o que teria deixado o mercado mais vulnerável a reajustes considerados abusivos.

Estrutura integrada ajudava a controlar preços

Antes da privatização, a Petrobras possuía uma estrutura considerada mais integrada, atuando em diferentes etapas do setor petrolífero, desde a produção até a distribuição.

De acordo com especialistas, essa integração permitia maior controle sobre os preços ao consumidor final, especialmente em momentos de instabilidade econômica ou crises internacionais.

O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar, afirma que a antiga estrutura permitia a aplicação de políticas de preços mais equilibradas.

Segundo ele, uma empresa integrada consegue administrar melhor as variações do mercado internacional.

Conflito internacional teria sido usado como justificativa

Entidades do setor também afirmam que o conflito no Oriente Médio tem sido utilizado como justificativa para aumentos nos preços nas distribuidoras e postos.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares, alerta que os aumentos em alguns locais não refletem diretamente os valores praticados pelas refinarias.

Segundo cálculos apresentados pela Federação Única dos Petroleiros, em alguns casos o preço final ao consumidor pode chegar a um acréscimo próximo de quarenta por cento em relação ao valor inicial do combustível.

Papel estratégico do Estado no setor energético

Para especialistas da área acadêmica, o setor de petróleo é estratégico para a economia nacional e para a segurança energética do país.

O professor de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal Fluminense, Geraldo de Souza Ferreira, destaca que a presença de empresas públicas no setor permite ao Estado ter instrumentos de intervenção quando necessário.

Segundo ele, empresas privadas tendem a priorizar o retorno financeiro, enquanto companhias públicas também consideram sua função social e o impacto econômico para a população.

Governo adota medidas para reduzir impacto

Diante do cenário de aumento nos preços, o governo federal adotou medidas para reduzir o impacto no bolso dos consumidores.

Entre as ações anunciadas está a redução das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma queda aproximada de trinta e dois centavos por litro.

Além disso, uma medida provisória autorizou a concessão de subvenção econômica no mesmo valor para a comercialização do combustível.

Somadas, as medidas podem reduzir cerca de sessenta e quatro centavos por litro no preço final do diesel.

O governo também criou uma sala de monitoramento para acompanhar o comportamento do mercado de combustíveis no Brasil e no exterior.

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