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Desemprego

Desemprego atinge mínima histórica em 19 estados e no DF em 2025, mas informalidade segue elevada

20 fev 2026 - 20h20 Joice Gomes   atualizado em 21/02/2026 às 20h54
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Desemprego atinge mínima histórica em 19 estados e no DF em 2025, mas informalidade segue elevada Em 2025, 19 estados e o DF registraram o menor desemprego da série histórica da Pnad Contínua, com taxa nacional de 5,6% e forte desigualdade na informalidade. (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A taxa de desemprego registrou em 2025 o menor nível desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012, com 19 estados e o Distrito Federal marcando recordes de baixa na desocupação.

De acordo com os dados mais recentes, o país encerrou 2025 com taxa de desocupação de 5,6%, o menor índice já medido, resultado de um mercado de trabalho mais aquecido e de renda real em recuperação.

A pesquisa considera pessoas com 14 anos ou mais e abrange todas as formas de ocupação, incluindo trabalho com e sem carteira assinada, temporário e por conta própria, a partir de visitas a 211 mil domicílios em todas as unidades da federação.

Quais estados tiveram o menor desemprego

Entre as unidades da federação, 19 estados e o Distrito Federal registraram em 2025 as menores taxas de desemprego de toda a série, com destaque para Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que lideram o ranking com os índices mais baixos.

Mato Grosso fechou o ano com taxa de 2,2%, seguido de Santa Catarina, com 2,3%, e Mato Grosso do Sul, com 3%, patamares que se aproximam do chamado “pleno emprego” em termos estatísticos.

Também alcançaram mínimas históricas Espírito Santo (3,3%), Paraná (3,6%), Rio Grande do Sul (4%), Minas Gerais (4,6%), Goiás (4,6%), Tocantins (4,7%), São Paulo (5%), Paraíba (6%), Ceará (6,5%), Pará (6,8%), Maranhão (6,8%), Distrito Federal (7,5%), Amapá (7,9%), Sergipe (7,9%), Rio Grande do Norte (8,1%), Amazonas (8,4%) e Bahia (8,7%).

Rondônia não bateu recorde, mas terminou 2025 com 3,3%, a quarta menor taxa do país, próxima da mínima histórica do estado, de 3,1% registrada em 2023, mostrando um mercado de trabalho ainda bastante aquecido.

Entre os estados que bateram recorde de baixa, apenas o Amazonas repetiu a taxa de 8,4% registrada em 2024, sem nova queda, o que indica estabilidade após forte ajuste anterior.

Desemprego médio e desigualdades regionais

Mesmo com a taxa média nacional em 5,6%, há um descompasso importante entre as unidades da federação: 12 estados ficaram com desocupação abaixo da média do país, enquanto 15 superaram esse patamar.

Os menores índices concentram-se principalmente em estados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, com destaque para Mato Grosso, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rondônia, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, São Paulo e Roraima abaixo da média nacional.

No outro extremo, as maiores taxas de desemprego continuam concentradas no Nordeste e em parte da Região Norte, com Piauí (9,3%), Pernambuco (8,7%), Bahia (8,7%), Amazonas (8,4%) e Alagoas (8,3%) entre os estados com desocupação mais elevada.

O quadro revela que, apesar do avanço generalizado, persistem importantes desigualdades regionais no acesso ao trabalho, em especial nos estados nordestinos que lideram as taxas de desocupação.

Informalidade continua alta em vários estados

O avanço do emprego formal não eliminou um dos principais desafios do mercado de trabalho: a alta taxa de informalidade, que terminou 2025 em 38,1% no país, com 18 estados acima dessa média.

Os maiores índices de trabalho informal estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste, com o Maranhão atingindo 58,7% de informalidade, seguido de Pará (58,5%), Bahia (52,8%), Piauí (52,6%), Ceará (51%) e Amazonas (50,8%).

Em estados com alta informalidade, muitos trabalhadores permanecem sem direitos básicos como contribuição previdenciária, 13º salário, seguro-desemprego e férias remuneradas, o que limita a segurança de renda mesmo em um cenário de menor desemprego.

No outro extremo, Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29%) apresentam as menores taxas de informalidade do país, indicando mercados de trabalho mais estruturados e com maior participação de vínculos formais.

Renda do trabalho e impactos econômicos

Além do emprego, a pesquisa mostra que o rendimento médio mensal do trabalhador encerrou 2025 em R$ 3.560, e o Distrito Federal e oito estados registraram valores acima dessa média nacional.

O Distrito Federal lidera o ranking com renda média de R$ 6.320, impulsionada principalmente pela forte presença de servidores públicos, seguido por São Paulo (R$ 4.190), Rio de Janeiro (R$ 4.177), Santa Catarina (R$ 4.091), Paraná (R$ 4.083), Rio Grande do Sul (R$ 3.916), Mato Grosso do Sul (R$ 3.727), Mato Grosso (R$ 3.688) e Goiás (R$ 3.628).

Apesar da melhora recente, alguns estados ainda não recuperaram o pico histórico de renda, como Amazonas, Amapá, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia e o próprio São Paulo, que pagava, em termos reais, R$ 4.320 em 2014, acima do valor atual.

Segundo análise do IBGE, a mínima histórica da taxa de desemprego em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado justamente pelo aumento do rendimento real, que fortalece o consumo e sustenta a atividade econômica.

O que muda para a população e próximos passos

Na prática, o nível de desemprego mais baixo tende a ampliar a concorrência por mão de obra, especialmente em estados com taxas próximas de 2% ou 3%, fortalecendo a posição dos trabalhadores em negociações salariais e condições de trabalho.

Ao mesmo tempo, a persistência da alta informalidade em parte significativa do país evidencia que boa parte das novas ocupações ainda não garantem proteção social, o que mantém milhões de trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade econômica.

Para especialistas, os dados apontam a necessidade de políticas que combinem manutenção do nível de atividade, incentivos à formalização e qualificação profissional, com foco especial nas regiões que seguem com desocupação e informalidade acima da média nacional.

A continuidade do aumento do rendimento real, aliada a programas de inclusão produtiva e estímulo ao emprego formal, será determinante para transformar o atual cenário de menor desemprego em ganhos sustentáveis de renda e redução de desigualdades regionais.

  • Em 2025, a taxa de desemprego no país foi de 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012.
  • Dezenove estados e o Distrito Federal registraram as menores taxas de desocupação desde o início da Pnad Contínua.
  • A informalidade atingiu 38,1% no Brasil, com 18 estados acima dessa média, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
  • O Distrito Federal e oito estados apresentaram rendimento médio do trabalho acima da média nacional de R$ 3.560.
  • Mesmo com o desemprego em queda, vários estados ainda não recuperaram o recorde histórico de renda real do trabalhador.
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