Câncer de mama
(Imagem: Reprodução / Internet)
Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Minas Gerais encontraram uma forma inovadora de combater o câncer de mama utilizando nanopartículas de óxido de ferro, estruturas tão minúsculas que são invisíveis ao olho humano.
Os testes realizados em laboratório mostraram que essas pequenas partículas conseguem frear o crescimento do tumor e dificultar que a doença se espalhe para outros órgãos, o processo conhecido como metástase.
O grande sucesso da descoberta é que o tratamento funciona como um "alarme", fazendo com que o próprio sistema de defesa do organismo reconheça a ameaça e passe a atacar o câncer sem agredir os tecidos saudáveis.
Na prática, o câncer de mama consegue crescer porque libera substâncias que enganam o corpo e o deixam "invisível" para o sistema imunológico. Ao aplicarem as nanopartículas nos animais testados, os pesquisadores conseguiram quebrar esse disfarce.
O tratamento estimula a produção de moléculas que chamam as células de defesa conhecidas como natural killers (ou "exterminadoras naturais") para eliminar o tumor, ao mesmo tempo em que reduz os componentes do sangue que ajudavam a doença a avançar. Essa reação conjunta diminuiu drasticamente o aparecimento de novos focos tumorais nos pulmões.
Próximos passos
A nova fase da pesquisa dá continuidade a um avanço registrado pelo grupo mineiro em 2023, quando os cientistas provaram que essas mesmas nanopartículas podiam reduzir o tamanho dos tumores quase pela metade ao reprogramar células de defesa.
Liderada pelo pesquisador Carlos Eduardo Calzavara, a equipe agora entende exatamente como esse "despertar" do organismo acontece, o que abre caminho para a criação de uma imunoterapia mais eficiente, segura e com muito menos efeitos colaterais do que as terapias tradicionais.
Antes que o recurso possa ser oferecido a pacientes nos hospitais, o estudo passará por novas etapas de testes para definir as dosagens ideais, a forma como o corpo absorve a substância e a sua segurança total.
Além disso, a Fiocruz já avalia combinar essas nanopartículas com os medicamentos quimioterápicos habituais para potencializar a destruição das células doentes. O objetivo principal dos cientistas não é substituir os tratamentos existentes, mas oferecer uma alternativa esperançosa para mulheres que não respondem bem às opções atuais.
Formada pela Universidade dos Guararapes, possui uma trajetória marcada pela diversidade de editorias, tendo atuado por dois anos no caderno de Esportes e por um ano nas editorias de Política e Vida Urbana.
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