Presidente Lula
(Imagem: Foto: Agência Brasil)
A possibilidade de uma virada de Lula no segundo turno é um dos principais temas da disputa presidencial de 2026. Embora o atual presidente tenha condições de buscar votos entre os eleitores que escolheram outros candidatos ou não compareceram às urnas, o cenário exige uma mudança significativa na distribuição dos votos.
Segundo os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Lula obteve 53.879.538 votos. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos válidos.
Os números colocam o candidato do PL em vantagem na largada para a segunda etapa da eleição. Entretanto, o resultado do primeiro turno não determina automaticamente o vencedor, já que os eleitores voltam às urnas e podem mudar suas escolhas.
O que mostram as pesquisas eleitorais
Os levantamentos divulgados em outubro indicam vantagem de Flávio Bolsonaro em diferentes cenários, mas também mostram que a disputa permanece competitiva.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de outubro, Flávio apareceu com 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. O levantamento ouviu 4.998 pessoas entre os dias 13 e 18 de outubro e informou margem de erro de um ponto percentual.
Outros institutos também registraram vantagem para Flávio, embora os percentuais variem conforme a metodologia, a data de coleta e o perfil da amostra. Por isso, os resultados devem ser analisados individualmente, sem tratar uma pesquisa isolada como previsão definitiva da eleição.
Além disso, pesquisas eleitorais são retratos de um momento. Mudanças na campanha, debates, declarações públicas, apoios políticos e acontecimentos de última hora podem influenciar a intenção de voto.
Transferência de votos será decisiva
Outro fator importante é o comportamento dos eleitores que votaram nos candidatos eliminados no primeiro turno. Entre eles estão Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Os votos recebidos por esses candidatos não são transferidos automaticamente para Lula ou Flávio Bolsonaro. Cada eleitor decide livremente se mantém sua preferência, muda de candidato, vota em branco, anula o voto ou deixa de comparecer.
Da mesma forma, declarações de apoio feitas por lideranças políticas podem influenciar parte do eleitorado, mas não garantem que todos os seus simpatizantes seguirão a orientação.
A capacidade de conquistar eleitores de centro e de ampliar a votação em regiões estratégicas pode ser determinante para os dois candidatos.
Abstenção também entra na conta
A abstenção é outro elemento observado pelas campanhas. No primeiro turno, 33.469.244 eleitores deixaram de comparecer às urnas, segundo os dados da apuração eleitoral.
Esse contingente, porém, não representa um bloco de votos disponível para qualquer candidato. Não é possível presumir que os eleitores ausentes voltarão no segundo turno nem que votarão majoritariamente em Lula ou Flávio.
Uma eventual redução da abstenção pode alterar o total de votos recebidos por cada candidato, mas o efeito depende de quem retorna às urnas e de suas preferências.
Histórico eleitoral não garante resultado
O desempenho dos candidatos em Minas Gerais e em outros estados também pode ajudar a compreender o cenário nacional. Ainda assim, padrões observados em eleições anteriores não são regras matemáticas capazes de antecipar o vencedor.
O comportamento do eleitorado pode mudar de uma eleição para outra, conforme a conjuntura econômica, a avaliação do governo, a força das campanhas e as alianças políticas.
As estimativas de plataformas de previsão, como o Polymarket, também precisam ser interpretadas com cautela. Elas refletem expectativas e negociações de participantes do mercado, e não uma pesquisa representativa do eleitorado nem uma garantia do resultado.
Lula ainda pode virar?
A diferença registrada no primeiro turno, somada à vantagem de Flávio em pesquisas recentes, torna a tarefa de Lula desafiadora. Para reverter o cenário, o presidente precisa ampliar sua votação e conquistar uma parcela suficiente dos eleitores que ainda podem mudar de escolha.
Isso não significa, porém, que a eleição esteja decidida. Pesquisas têm margens de erro, os eleitores podem mudar de opinião e o resultado depende dos votos efetivamente contabilizados.
A conclusão é que uma virada de Lula é possível, mas depende de uma combinação de fatores favoráveis. A vantagem atual de Flávio Bolsonaro indica um caminho difícil para o presidente, sem eliminar a possibilidade de mudança até a apuração final.
A decisão será tomada pelos eleitores no segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026.