Divisão incorreta de medicamentos pode alterar a absorção do princípio ativo no organismo
(Imagem: Canva)
A prática de cortar comprimidos ao meio para ajustar a dosagem, economizar na compra ou facilitar a ingestão é uma rotina frequente em muitos lares brasileiros. No entanto, profissionais da área de saúde alertam que esse hábito caseiro pode comprometer a eficácia do tratamento e trazer riscos graves de contaminação e superdosagem.
Um dos principais problemas envolve os medicamentos que possuem revestimento especial. Essa camada protetora serve para mascarar sabores desagradáveis e garantir que o princípio ativo seja liberado apenas no local correto do trato digestivo. Ao partir o medicamento, essa proteção é destruída, alterando a velocidade de absorção da substância no organismo.
Erros de dosagem e riscos de contaminação
Outro ponto de atenção é que a presença daquela linha central, chamada de sulco, nem sempre indica permissão para o fracionamento. Em muitas formulações, a marca serve apenas para dar resistência mecânica ao produto. Ao utilizar facas ou lâminas domésticas para cortar comprimidos, a divisão raramente fica precisa, fazendo com que o paciente receba doses desiguais a cada metade consumida.
O uso de utensílios de cozinha sem a higienização adequada também introduz bactérias e resíduos ao remédio, gerando riscos de contaminação direta. O cenário se torna ainda mais delicado na prática da automedicação, quando o consumidor compra dosagens mais altas por conta própria com a intenção de dividi-las.
Para os casos em que o fracionamento é realmente indispensável e autorizado pelo profissional prescritor, a orientação é utilizar cortadores específicos vendidos em farmácias. Esse tipo de acessório garante um corte centralizado, reduz variações na dosagem e mantém o medicamento protegido de impurezas externas durante o processo.
Consultar o farmacêutico ou o médico antes de cortar comprimidos continua sendo a melhor forma de garantir a segurança do tratamento e evitar complicações para a saúde.