Representação cartográfica histórica baseada na projeção de Mercator será substituída pelo modelo 'Terra Igual' nas instâncias internacionais.
(Imagem: gerado por IA)
A Assembleia Geral das Nações Unidas tomou uma decisão histórica ao aprovar a adoção de um novo mapa-múndi oficial, encerrando mais de quatro séculos de distorções cartográficas estruturais. A medida atende a uma demanda de nações do Sul Global e visa reestabelecer o tamanho real de regiões como a América do Sul, a África e o Sul da Ásia, historicamente representadas de forma reduzida.
A resolução, intitulada "Corrija o mapa", foi liderada pelo Togo e recebeu o apoio em massa de 164 países. O único voto contrário partiu dos Estados Unidos, acompanhado por seis abstenções, em um claro sinal de tensão geopolítica sobre como a própria imagem do planeta é projetada no imaginário coletivo mundial.
Na prática, essa mudança vai muito além de um mero ajuste técnico de linhas e fronteiras. Ao discursar em Nova York, o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, enfatizou que a decisão resgata a "verdade científica" e devolve a dignidade e a equidade de representação a povos que foram, literalmente, diminuídos pela história.
O que muda na prática com o novo modelo
Até então, o mundo educacional, governamental e corporativo utilizava amplamente a projeção de Mercator, concebida originalmente em 1569. Embora fosse extremamente útil para a navegação marítima na época das Grandes Navegações, esse modelo distorce gravemente as massas de terra próximas aos polos.
Como consequência prática dessa distorção colonial, a Europa e a América do Norte pareciam muito maiores do que realmente são, enquanto os continentes cortados pela Linha do Equador sofriam um forte encolhimento visual. A Groenlândia, por exemplo, costuma aparecer no mesmo tamanho da África, embora o continente africano seja 14 vezes maior.
Para corrigir esse abismo proporcional, a União Africana apresentou como alternativa viável o modelo cartográfico conhecido como "Terra Igual" (Equal Earth). Essa nova projeção distribui de forma matematicamente precisa a área de cada continente, respeitando a real escala geográfica do planeta.
Como a mudança afeta a geopolítica e a educação
A alteração oficial promovida pelas Nações Unidas busca impactar diretamente as salas de aula e as decisões políticas futuras. Afinal, a cartografia não é neutra; ela molda a percepção de poder, a economia e a importância que as sociedades atribuem a diferentes partes do mundo.
E é aqui que está o ponto central: os países defensores da mudança argumentam que as distorções alimentavam um viés de superioridade do Norte Global. A correção agora busca promover o que diplomatas chamaram de "justiça cognitiva e reparação memorial" para restabelecer o equilíbrio simbólico global.
A ONU agora planeja incentivar a rápida transição para o modelo de "Terra Igual" em livros escolares, mídias digitais e documentos oficiais de governos pelo mundo. O movimento alinha-se ao Pacto para o Futuro, aprovado em 2024, que visa mitigar as desigualdades históricas persistentes na sociedade moderna.