Paciente realiza tratamento de diálise utilizado para insuficiência renal
(Imagem: Canva)
A insuficiência renal ocorre quando os rins deixam de desempenhar corretamente sua principal função: filtrar o sangue e eliminar toxinas e excesso de líquidos do organismo. Quando essa falha se torna grave e permanente, muitos pacientes passam a depender de tratamentos que substituem parcialmente o funcionamento dos rins.
Entre os métodos mais utilizados estão a hemodiálise e a diálise peritoneal. Esses procedimentos ajudam a limpar o sangue e a manter o equilíbrio de substâncias no corpo, permitindo que pacientes com doença renal crônica continuem vivendo por muitos anos.
Apesar de serem essenciais para a sobrevivência em muitos casos, esses tratamentos não curam a doença renal. Em diversas situações, eles funcionam como uma alternativa até que o paciente possa realizar um transplante de rim ou quando o transplante não é possível.
A escolha entre os dois métodos depende de diversos fatores, como condições de saúde do paciente, rotina diária, presença de outras doenças e acesso a centros médicos especializados.
Como funciona a hemodiálise
A hemodiálise é um tratamento no qual o sangue do paciente é retirado do corpo e passa por uma máquina responsável por filtrá-lo. Esse equipamento, conhecido como dialisador, remove substâncias tóxicas e excesso de líquidos antes de devolver o sangue ao organismo.
Para que o processo ocorra com segurança, os médicos criam um acesso ao sistema vascular do paciente, geralmente por meio de uma fístula arteriovenosa, enxerto ou cateter.
As sessões de hemodiálise costumam ocorrer em clínicas especializadas ou hospitais. Em muitos casos, os pacientes realizam o procedimento cerca de três vezes por semana, com duração média entre três e cinco horas por sessão.
Durante o tratamento, o sangue entra em contato com uma membrana especial que funciona como filtro. Por meio de processos físicos chamados difusão e ultrafiltração, substâncias indesejadas passam do sangue para uma solução chamada dialisato, que posteriormente é descartada.
Entre uma sessão e outra, os pacientes precisam seguir orientações médicas, como controlar a ingestão de líquidos e manter uma dieta adequada.
Diálise peritoneal utiliza membrana do próprio corpo
Diferente da hemodiálise, a diálise peritoneal utiliza uma membrana natural do corpo humano chamada peritônio, localizada no interior do abdome.
Nesse método, uma solução especial é introduzida na cavidade abdominal por meio de um cateter implantado cirurgicamente. A solução permanece no abdome por um determinado período e permite a troca de substâncias entre o sangue e o líquido de diálise.
Depois desse tempo, o líquido é drenado e substituído por uma nova solução. Esse processo recebe o nome de troca.
Existem dois tipos principais de diálise peritoneal. Na diálise peritoneal ambulatorial contínua, o próprio paciente realiza as trocas manualmente ao longo do dia. Já na diálise peritoneal automatizada, uma máquina realiza as trocas automaticamente durante a noite, enquanto o paciente dorme.
Uma das principais vantagens desse método é a possibilidade de realizar o tratamento em casa, desde que o paciente receba treinamento adequado e siga rigorosos cuidados de higiene.
Principais diferenças entre os tratamentos
Embora tenham o mesmo objetivo, hemodiálise e diálise peritoneal apresentam diferenças importantes na forma de tratamento e na rotina do paciente.
A hemodiálise normalmente exige deslocamento até uma clínica especializada e segue um calendário fixo de sessões supervisionadas por profissionais de saúde.
Já a diálise peritoneal permite maior autonomia, pois pode ser realizada no ambiente domiciliar. Por outro lado, exige disciplina e responsabilidade do paciente no controle do procedimento.
Entre os fatores avaliados pelos médicos na escolha do tratamento estão o estado geral de saúde, presença de doenças cardiovasculares, histórico de cirurgias abdominais e condições do ambiente familiar.
Tratamentos podem garantir qualidade de vida
No Brasil, a hemodiálise é o método mais utilizado entre pacientes com insuficiência renal crônica avançada. Grande parte dos tratamentos ocorre em clínicas vinculadas ao sistema público de saúde ou a planos privados.
A diálise peritoneal representa uma parcela menor, mas vem sendo incentivada em alguns programas de saúde por permitir tratamento domiciliar e reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes.
A expectativa de vida de pacientes em diálise pode variar bastante, dependendo de fatores como idade, doenças associadas, alimentação adequada e adesão ao tratamento.
Existem casos de pessoas que permanecem em diálise por mais de duas décadas, especialmente quando seguem corretamente as orientações médicas e contam com acompanhamento contínuo de uma equipe de saúde especializada.