Abertura da Expozebu em Uberaba serviu de palco para críticas contra a mudança na jornada de trabalho.
(Imagem: gerado por IA)
O agronegócio brasileiro, pilar central da economia nacional, manifestou uma oposição contundente à proposta de extinção da escala de trabalho 6x1 durante a abertura da Expozebu, em Uberaba (MG). O evento, que reúne a elite da pecuária zebuína, tornou-se palco de um alerta severo: a mudança na jornada pode desequilibrar o setor produtivo.
Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), foi enfático ao classificar a discussão como "nociva". Para ele, a medida ignora a dinâmica operacional do campo e pode gerar consequências sem precedentes na oferta de alimentos e na sustentabilidade do negócio rural.
O que está por trás da resistência do setor
Na prática, a preocupação dos líderes vai além do aumento de custos imediatos. Há um entendimento de que a estrutura logística do agro não comporta a redução drástica de dias trabalhados sem uma contrapartida de modernização ou alívio fiscal, algo que ainda parece distante no horizonte legislativo.
Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), direcionou as críticas para o que considera o "verdadeiro vilão": a carga tributária sufocante. Segundo o dirigente, o Brasil arrecada trilhões de reais sem que o retorno em infraestrutura, como transporte e segurança, atenda às necessidades de quem produz.
O impacto vai além da porteira da fazenda. Meirelles argumenta que o debate sobre a escala 6x1 é inoportuno enquanto o País não resolve gargalos estruturais básicos que encarecem o produto final. Na visão do líder, a prioridade deveria ser a eficiência do Estado e não a alteração de dinâmicas que já funcionam no setor privado.
O que pode acontecer a partir disso
O cenário político também ganhou contornos claros com a presença de nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. A aproximação de pré-candidatos ao debate reforça que o tema da jornada de trabalho será um dos grandes divisores de águas nas discussões eleitorais e legislativas dos próximos anos.
Enquanto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) avança na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a pressão do setor produtivo tende a aumentar. O objetivo é garantir que a análise da constitucionalidade seja apenas o início de um debate técnico profundo sobre viabilidade econômica e segurança jurídica.
O desfecho dessa queda de braço definirá não apenas o futuro dos direitos trabalhistas, mas a competitividade do Brasil no mercado global de commodities. Para o agro, o momento exige pragmatismo e um planejamento de longo prazo que evite sobressaltos em uma engrenagem que, por natureza, não pode parar.