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Ogan Bangbala

Aos 106 anos morre Luiz Bangbala, o ogan mais antigo do Brasil e guardião das tradições do candomblé

17 fev 2026 - 14h35 Joice Gomes   atualizado às 14h38
Aos 106 anos morre Luiz Bangbala, o ogan mais antigo do Brasil e guardião das tradições do candomblé Luiz Bangbala, reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil, morreu aos 106 anos vítima de complicações renais. (Imagem: Milana Trindade/Divulgação)

O Ogan Bangbala, nome reverenciado nas tradições do candomblé, partiu aos 106 anos na noite de domingo, 15 de fevereiro de 2026, no Rio de Janeiro. Reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil, Luiz Ângelo da Silva dedicou mais de oito décadas à preservação dos rituais ancestrais de matriz africana.

Internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho por uma infecção nos rins, o religioso não resistiu às complicações. Sua esposa, Maria Moreira, anunciou a morte nas redes sociais, expressando profunda dor pela perda do companheiro, descrito como mestre e orgulho da família.

Nascido em 21 de junho de 1919, em Salvador, na Bahia, Bangbala foi iniciado no candomblé ainda jovem, assumindo o papel de ogan responsável por tocar atabaques e comandar os ritmos das cerimônias de recepção dos orixás. Sua mudança para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, marcou o início de uma vida inteira de contribuições no Rio de Janeiro.

Origens e trajetória no candomblé

O Ogan Bangbala começou sua jornada religiosa em 1937, no terreiro de Lili D'Oxum, da nação Efom, em Salvador. Como ogan, ele não entra em transe, mas é essencial para manter a ordem nos terreiros, tocar instrumentos de percussão como atabaques, agogôs e xequerês, e guiar rituais, inclusive os fúnebres conhecidos como axexê.

Conhecido como o "grande griot das tradições", Bangbala guardava memórias dos povos africanos, repassando conhecimentos acumulados ao longo de décadas. Ele ajudou a fundar cerca de 50 terreiros só no Rio de Janeiro e era convidado mensalmente para cerimônias em todo o país, demonstrando maestria nos toques que chamam os orixás.

Sua dedicação ia além dos rituais: Bangbala fabricava seus próprios instrumentos e participava de cursos nos fins de semana, ensinando os mais jovens. Mesmo após superar a Covid-19 e internações recentes, mantinha-se ativo, compartilhando sabedoria em eventos acadêmicos e terreiros de vários estados.

  • Iniciado aos 14 anos no candomblé de nação Efom, em Salvador.
  • Diretor do Afoxé Filhos de Gandhy por 15 anos na Bahia e cofundador no Rio.
  • Gravou dezenas de álbuns com cânticos em iorubá, preservando a língua ancestral.

Contribuições culturais e homenagens

O ogan mais antigo do Brasil deixou marcas profundas na cultura afro-brasileira. Um dos fundadores do Afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, bloco inspirado nos princípios de paz de Gandhi, Bangbala integrou música e espiritualidade em manifestações carnavalescas e religiosas.

Em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, na categoria Comendador, por seu papel na difusão das tradições de matriz africana. Em 2020, foi enredo da escola de samba Unidos do Cabuçu, e em 2024, protagonizou a exposição e o documentário "Vida na Fé – Matriz Africana: Edição Bangbala", no Centro Cultural Correios.

Ele desfilou com a Grande Rio em edições como a homenagem a Joãozinho da Gomeia e o campeonato de 2022 sobre Exu, reforçando laços com o samba e o carnaval. Sua presença em estádios, como São Januário, e quadras de samba mostrava a versatilidade de um homem que unia fé, esporte e arte.

  • Ordem do Mérito Cultural em 2014, entregue por Michel Temer.
  • Documentário e exposição em 2024 no Centro Cultural Correios.
  • Homenagens em escolas de samba como Unidos do Cabuçu e Grande Rio.

Legado e impacto para o futuro

A morte do Ogan Bangbala representa a perda de um elo vivo com as raízes africanas no Brasil. Como ancestral agora, ele continua a iluminar práticas nos terreiros, blocos afros e na identidade do povo afro-brasileiro, conforme destacou o babalorixá Ivanir dos Santos.

Seu sepultamento ocorreu na tarde de terça-feira, 17 de fevereiro, no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense. A ausência física não apaga o impacto prático de sua obra: gerações formadas por ele perpetuarão os toques rituais, os axexês e a transmissão oral de saberes.

Para o candomblé, o falecimento reforça a urgência de documentar depoimentos de mestres idosos. Bangbala exemplifica como indivíduos dedicados constroem pontes entre passado e presente, garantindo que ritmos iorubás ecoem nas futuras gerações de terreiros e manifestações culturais.

O legado do ogan mais antigo do Brasil influencia diretamente a vitalidade das religiões de matriz africana, que enfrentam preconceitos mas ganham visibilidade. Casas de candomblé em todo o país sentem sua partida, mas celebram a memória eterna em cada toque de atabaque.

  • Preservação de rituais fúnebres (axexê) conhecidos nacionalmente.
  • Inspiração para documentários e exposições sobre matriz africana.
  • Fortecimento de blocos afoxés e escolas de samba ligadas à cultura negra.
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