Advogados distribuem cartilhas contra golpes em ação de conscientização pública.
(Imagem: gerado por IA)
O avanço do golpe do falso advogado tem feito vítimas financeiras em todo o país ao explorar a vulnerabilidade de quem aguarda ansiosamente por uma decisão judicial. Criminosos agora usam dados públicos reais e até inteligência artificial para enganar cidadãos comuns no WhatsApp, simulando uma urgência que não existe.
Apenas no estado do Rio de Janeiro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) já contabiliza mais de 2.300 denúncias desse tipo de fraude desde o início do ano passado. Para conter essa escalada criminosa, a instituição lançou uma cartilha educativa e foi às ruas alertar a população sobre o funcionamento dessas abordagens.
Na prática, o impacto emocional sobre as vítimas é devastador, pois os golpistas tocam em pontos sensíveis como heranças atrasadas, liberação de benefícios ou processos trabalhistas urgentes. Compreender a dinâmica dessa fraude é o primeiro passo para não se tornar mais um número nessa estatística.
Como o golpe funciona na prática
Os estelionatários atuam de forma sofisticada e monitoram diários oficiais e sistemas de consulta processual públicos para capturar informações detalhadas sobre as ações. Com nome completo, CPF, número do processo e o nome do verdadeiro advogado da vítima em mãos, eles criam um perfil falso no WhatsApp.
A partir desse primeiro contato, os criminosos alegam que há uma quantia alta disponível para saque, mas condicionam a liberação a um pagamento prévio, geralmente via PIX ou boleto bancário falso. Eles justificam a cobrança como taxas cartorárias, impostos de liberação ou honorários de urgência.
Mas o impacto vai além do prejuízo financeiro imediato: os criminosos usam de forte pressão psicológica, afirmando que, caso a transferência não seja feita imediatamente, o valor conquistado na Justiça será perdido ou revertido.
O que está por trás do uso de inteligência artificial nos golpes
Com a popularização de ferramentas de inteligência artificial, a audácia dos criminosos aumentou consideravelmente nos últimos meses. Hoje, softwares modernos já são capazes de clonar a voz e até criar vídeos realistas de advogados reais com base em arquivos disponíveis nas redes sociais.
Diante dessa nova ameaça tecnológica, especialistas recomendam que clientes combinem previamente uma palavra-chave com seus advogados logo no início do contrato de prestação de serviços. Esse código secreto deve ser exigido em qualquer chamada telefônica ou mensagem suspeita que solicite dinheiro.
Como se proteger e agir diante de uma abordagem suspeita
A principal regra de ouro para evitar o prejuízo é nunca agir sob pressão temporal. Advogados sérios e escritórios consolidados não costumam exigir transferências urgentes via WhatsApp para a liberação de valores judiciais.
Antes de efetuar qualquer pagamento, o cliente deve entrar em contato diretamente com o escritório de advocacia por meio de canais oficiais e conhecidos, evitando usar os contatos fornecidos na mensagem suspeita. Também é fundamental consultar o Cadastro Nacional de Advogados (CNA) para verificar se o profissional de fato está regularizado na OAB.
Caso o crime se concretize, o recomendado é não apagar as mensagens, registrar capturas de tela contendo o número de telefone do golpista, guardar todos os comprovantes de transação e registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, além de notificar a OAB.
O que pode acontecer a partir de agora
Em resposta à onda de fraudes, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) já começou a adotar medidas técnicas mais rígidas por solicitação da OAB-RJ. Entre as mudanças estão a restrição nos filtros de busca do sistema de consulta processual eletrônica e a implementação de dupla verificação de senha para acessos dos profissionais.
Espera-se que essa blindagem digital diminua a circulação de dados sensíveis nas mãos de criminosos, mas a vigilância individual continua sendo o escudo mais eficiente contra a engenharia social que alimenta essas quadrilhas.