Cereal registra valorização no mercado nacional em meio a mudanças nas tarifas de exportação
(Imagem: Canva)
O mercado do agronegócio acompanha com atenção os desdobramentos sobre o preço do arroz após o anúncio de novas taxas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. A medida comercial pode elevar a tributação do cereal para até 37,5% no território norte americano, somando se a um cenário interno marcado por menor oferta da safra recente.
Apesar do alerta no setor produtivo, especialistas indicam que o impacto real no bolso do consumidor depende da movimentação das vendas externas e do volume estocado internamente. A decisão formal partiu do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos após investigações baseadas na legislação daquele país.
Fatores que pressionam o preço do arroz
Além do grão, outros itens nacionais como mel e etanol receberam a sobretaxa de 12,5%. Por outro lado, itens importantes da pauta exportadora como carne bovina, café solúvel e suco de laranja não sofreram alterações fiscais. Em resposta, o governo brasileiro declarou que as justificativas têm cunho protecionista e estuda acionar a Organização Mundial do Comércio para defender as exportações nacionais.
Análises de entidades do comércio internacional indicam que milhares de mercadorias brasileiras serão afetadas, movimentando bilhões de dólares em negociações. Esse cenário global soma pressões ao ambiente econômico doméstico.
No cenário nacional, o preço do arroz já vinha apresentando curva ascendente nos indicadores agrícolas. Dados do Cepea apontam alta expressiva no valor da saca do produto em casca, atingindo níveis elevados neste período. A elevação reflete diretamente a menor disponibilidade do produto no campo.
A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento confirma uma diminuição expressiva na safra atual comparada ao ciclo anterior. A redução da área plantada no país influenciou o resultado final, muito embora a produtividade por hectare tenha registrado ligeiro ganho técnico. O Rio Grande do Sul permanece como o maior polo produtor, concentrando a maior parte da área cultivada com arroz irrigado.
Mesmo com ganhos de eficiência na lavoura gaúcha, a retração na área total impediu a expansão da oferta, mantendo a cotação do produto em patamares elevados e concentrando a atenção de consumidores e analistas sobre a tendência futura para o preço do arroz.