Novo aplicativo da ANAC promete centralizar queixas e garantir respostas das aéreas em até dez dias.
(Imagem: gerado por IA)
A partir desta terça-feira, os passageiros brasileiros ganham uma ferramenta direta para combater o descaso em aeroportos e balcões de atendimento. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) oficializou o lançamento do "Anac Passageiro", um aplicativo desenhado para ser o canal definitivo de resolução de conflitos entre consumidores e empresas de aviação.
Mais do que um simples repositório de queixas, o ambiente digital nasce com a promessa de monitoramento rigoroso e respostas rápidas. A plataforma integra, em um só ambiente, o registro de reclamações, o acompanhamento de processos e um guia completo sobre os direitos e deveres de quem voa pelo Brasil.
Na prática, isso muda mais do que parece, pois coloca o passageiro em uma posição de maior equilíbrio diante das gigantes do setor. Mas o impacto vai além do simples registro de uma insatisfação momentânea.
O que muda na prática para o passageiro
O funcionamento do novo canal é intuitivo, mas carrega uma mudança de peso na dinâmica de atendimento: caso um problema não seja solucionado diretamente pelos canais tradicionais da companhia, o viajante pode registrar a ocorrência no aplicativo imediatamente.
Assim que o registro é concluído, o relógio começa a correr para a empresa aérea. Elas passam a ter o prazo improrrogável de dez dias para apresentar uma solução ou justificativa plausível para o ocorrido. E é aqui que está o ponto central da nova estratégia da ANAC.
Após a resposta da empresa, o consumidor ainda dispõe de 30 dias para avaliar o atendimento recebido. Esse feedback alimenta um banco de dados que servirá como termômetro da qualidade do serviço prestado em todo o país.
Por que a medida é um divisor de águas no setor
A adesão ao sistema não é opcional. Todas as companhias que operam voos regulares no país são obrigadas a participar da plataforma, o que elimina as antigas "áreas cinzentas" de atendimento onde o passageiro muitas vezes ficava sem suporte efetivo.
Para a ANAC, a centralização desses dados permite enxergar além de casos isolados. A agência pretende identificar falhas recorrentes e agir de forma sistêmica em casos de descumprimento das regras, o que pode resultar em multas e correções de rota mais severas para as operadoras.
Com essa iniciativa, o setor aéreo brasileiro busca não apenas reduzir a judicialização excessiva, mas oferecer uma resposta mais humana e eficiente. O foco agora é garantir que o passageiro tenha voz ativa e que os problemas sejam resolvidos antes mesmo de saírem do saguão do aeroporto.