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Ter, 06 de Outubro
Câncer

Unifesp inaugura centro pioneiro para diagnóstico molecular do câncer no Brasil

Unifesp abre o primeiro centro público de diagnóstico molecular do Brasil. Tecnologia de ponta promete tratamentos personalizados e maior sobrevida contra o câncer.

07 abr 2026 - 08h54 Joice Gomes   atualizado às 08h56
Unifesp inaugura centro pioneiro para diagnóstico molecular do câncer no Brasil Novo laboratório da Unifesp utiliza tecnologia de ponta para mapear estruturas moleculares e combater o câncer de forma personalizada. (Imagem: gerado por IA)

A luta contra o câncer no Brasil acaba de ganhar um aliado tecnológico sem precedentes no setor público. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciou as operações do Laboratório Interdisciplinar de Multiômica Espacial, um centro que promete transformar o diagnóstico da doença ao olhar para as células de uma maneira nunca antes vista na rede pública.

O foco principal é o diagnóstico molecular de precisão. Em vez de uma abordagem genérica, a nova unidade permite identificar as particularidades genéticas de cada tumor, possibilitando que o tratamento seja desenhado sob medida para o paciente. Essa mudança de paradigma é o que especialistas chamam de medicina personalizada, onde cada protocolo é único.

A estrutura conta com uma avançada plataforma de multiômica, composta pelos módulos GeoMx e nCounter. Essa tecnologia é capaz de mapear o funcionamento das estruturas moleculares dos tecidos com uma riqueza de detalhes impressionante, identificando mutações e alterações no DNA mesmo em amostras de tecido extremamente reduzidas.

A revolução da medicina personalizada no setor público

Para a professora Soraya Smaili, do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, o avanço é considerável. Segundo ela, o diagnóstico deixa de ser apenas uma constatação da doença e passa a ser um mapa detalhado da estrutura de cada paciente, o que agiliza a resposta terapêutica e evita tentativas e erros no tratamento.

Atualmente, o laboratório já integra 27 projetos de pesquisa e serve como um hub de conhecimento para grandes instituições. Além da própria Unifesp, pesquisadores da USP, Santa Casa de São Paulo, Icesp e hospitais privados de referência, como o A.C. Camargo, já utilizam a estrutura, consolidando o centro como um polo de excelência nacional.

O grande diferencial está na detecção de biomarcadores específicos, como os genes BRCA1 e BRCA2 (ligados ao câncer de mama) ou o BRAF (associado ao câncer de pele). Identificar essas pistas moleculares precocemente pode ser a diferença crucial entre a cura definitiva e o surgimento de complicações graves, como a metástase.

Impacto real na sobrevida e parceria com o SUS

A tecnologia é especialmente vital para cânceres de evolução rápida e agressiva, como os de pulmão e pâncreas. Em muitos casos, o mapeamento genético permite iniciar intervenções antes mesmo que uma biópsia tradicional seja viável ou conclusiva, aumentando drasticamente as chances de sucesso contra tumores raros.

O projeto recebeu um investimento inicial de R$ 5 milhões da Fapesp e, embora atenda à elite da pesquisa científica, o objetivo final é a democratização do acesso. A Unifesp busca firmar convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS) para que essa tecnologia de ponta chegue diretamente à população atendida pela rede pública de saúde.

Coordenado por uma equipe multidisciplinar de renome, o laboratório não apenas diagnostica, mas também capacita novos especialistas. Com 17 pesquisadores associados, o centro nasce com a missão de ser um divisor de águas na ciência brasileira, unindo a pesquisa acadêmica de alto nível ao atendimento prático hospitalar de alta complexidade.

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