Indígenas de diversas regiões participam do Acampamento Terra Livre em Brasília
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
Indígenas de diversas regiões do país começaram a chegar a Brasília neste domingo (5) para participar da 22ª edição do Acampamento Terra Livre 2026. O encontro ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano, área que anteriormente abrigava a Funarte, na região central da capital federal.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o evento segue até o dia 11 de abril e é considerado a maior mobilização indígena do país. Segundo os organizadores, entre 7 mil e 8 mil pessoas, incluindo indígenas e apoiadores, devem participar da programação deste ano.
O encontro reúne representantes de grande parte dos cerca de 391 povos indígenas existentes no Brasil, além de delegações de outros países. O objetivo é discutir pautas relacionadas à defesa dos territórios tradicionais e denunciar violações de direitos dos povos originários.
Demarcação de terras é tema central
Mesmo com a ampliação dos debates ao longo dos anos, a principal pauta do evento continua sendo o reconhecimento do direito dos povos indígenas às suas terras.
De acordo com o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá, há expectativa de novos anúncios relacionados à criação de territórios indígenas por parte do governo federal.
Após um período entre 2019 e 2022 sem novas demarcações, o governo homologou 20 territórios indígenas entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas. Essas áreas somam cerca de 2,5 milhões de hectares protegidos em 11 estados brasileiros.
Apesar dos avanços, lideranças afirmam que ainda existem aproximadamente 110 áreas em análise que podem se tornar terras indígenas.
Mobilização marca o Abril Indígena
O evento também marca o início do chamado Abril Indígena, período de mobilização nacional voltado à defesa de direitos e à ampliação de políticas públicas voltadas às comunidades indígenas.
Neste ano, o tema escolhido para o acampamento é “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. A programação inclui debates sobre saúde, educação, meio ambiente e relações internacionais entre povos indígenas.
Além dos encontros e seminários, estão previstas caminhadas pela Esplanada dos Ministérios. A primeira marcha está marcada para terça-feira (7) e deve reunir manifestantes contra propostas legislativas consideradas prejudiciais às comunidades indígenas, como a exploração mineral em terras tradicionais e a tese do marco temporal.
Debate político e eleições de 2026
As eleições de 2026 também devem ganhar espaço nas discussões do evento. Uma das atividades previstas é o debate sobre a chamada “Campanha Indígena”, iniciativa voltada a fortalecer candidaturas de representantes indígenas.
A proposta busca orientar lideranças interessadas em disputar cargos políticos e ampliar a presença de representantes indígenas no Congresso Nacional.
Para muitos participantes, o Acampamento Terra Livre se tornou um espaço importante de articulação política e cultural entre diferentes povos. Além das discussões políticas, o evento também promove troca de experiências, fortalecimento das tradições e exposição de artesanato produzido pelas comunidades.