Brasil sedia conferência internacional sobre proteção de espécies migratórias.
(Imagem: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)
O Brasil será sede da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, conhecida como COP15.
O evento acontece entre os dias 23 e 29 de março na cidade de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, reunindo representantes de mais de 130 países e da União Europeia.
O encontro faz parte da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, tratado internacional que busca fortalecer a cooperação entre países para proteger animais que percorrem grandes distâncias durante seus ciclos naturais.
Novo ciclo de cooperação internacional
A conferência marca o início de um novo ciclo de três anos de negociações e acordos internacionais voltados à preservação das espécies migratórias.
Durante esse período, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, assumirá a presidência da COP15 e ficará responsável por coordenar os debates entre os países participantes.
Entre os principais temas da agenda estão a atualização das listas de espécies protegidas e a análise de novos dados científicos sobre os padrões de migração de animais em diferentes regiões do planeta.
Brasil tem papel importante na rota migratória
De acordo com especialistas, o Brasil possui grande relevância para a conservação das espécies migratórias por causa de sua biodiversidade e extensão territorial.
O país abriga o segundo maior número de espécies de aves do mundo e recebe anualmente cerca de 126 espécies migratórias.
Além das aves, diversas outras espécies utilizam o território brasileiro durante seus ciclos naturais, como a baleia jubarte, que migra milhares de quilômetros até o arquipélago de Abrolhos para reprodução, e a toninha, um pequeno golfinho que se desloca entre Brasil, Argentina e Uruguai.
Também fazem parte desse ciclo espécies como tartarugas marinhas e diversos peixes que atravessam fronteiras marítimas e continentais.
Pantanal foi escolhido para sediar o evento
A escolha de Campo Grande para sediar o encontro está diretamente ligada à proximidade com o Pantanal, considerado a maior área úmida continental do planeta.
O bioma é considerado um ponto estratégico nas rotas migratórias de diversas espécies e funciona como um importante local de descanso, alimentação e reprodução.
Além disso, o Pantanal é compartilhado por três países: Brasil, Paraguai e Bolívia, o que reforça a necessidade de cooperação internacional para sua preservação.
Conferência discute ameaças às espécies
Entre os principais desafios debatidos no encontro estão a perda de habitat, a poluição ambiental, a caça ilegal e os impactos das mudanças climáticas.
Outro problema citado por especialistas são barreiras físicas criadas por atividades humanas, como linhas de transmissão, turbinas eólicas e edifícios iluminados, que podem desorientar animais durante a migração.
O objetivo da conferência é ampliar acordos de cooperação internacional e definir medidas que garantam rotas seguras para as espécies migratórias em todo o mundo.