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Internacional

Mojtaba Khamenei assume como novo líder supremo do Irã após eleição pela Assembleia de Especialistas

09 mar 2026 - 10h23 Joice Gomes   atualizado às 14h27
Mojtaba Khamenei assume como novo líder supremo do Irã após eleição pela Assembleia de Especialistas Mojtaba Khamenei foi eleito novo líder supremo do Irã após morte do pai em bombardeio. (Imagem: gerado por IA)

A Assembleia de Especialistas do Irã confirmou na noite de domingo a eleição do aiatolá Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo da República Islâmica. A escolha ocorre exatamente uma semana após o falecimento de seu pai, Ali Khamenei, vítima de ataques aéreos coordenados por Estados Unidos e Israel.

Com 56 anos, Mojtaba herda o cargo mais poderoso do país, que controla as Forças Armadas, define a política externa e supervisiona o Judiciário. A nomeação foi transmitida ao vivo pela televisão estatal, em um momento de intensas movimentações políticas internas.

Morte de Ali Khamenei e início do conflito

O aiatolá Ali Khamenei, que governou o Irã por quase quatro décadas desde 1989, foi morto em 28 de fevereiro. O bombardeio atingiu sua residência oficial em Teerã, em uma operação que Donald Trump, presidente dos EUA, confirmou publicamente.

O ataque marcou o início de uma escalada militar sem precedentes. Israel justificou a ação como resposta a supostos planos nucleares iranianos, enquanto o Irã retaliou com lançamentos de mísseis contra bases americanas no Iraque e alvos israelenses.

Tragédias humanitárias chocaram o mundo, como o ataque a uma escola em Mashhad, que deixou 168 crianças mortas. O conflito já soma mais de 1.300 civis iranianos vítimas, segundo estimativas oficiais.

  • Ali Khamenei faleceu aos 86 anos em residência oficial em Teerã.
  • Trump assumiu responsabilidade pelos bombardeios iniciais.
  • Irã respondeu com mais de 200 mísseis em 48 horas.
  • Escola bombardeada em Mashhad vitimou 168 estudantes.

Processo de escolha do sucessor

A Assembleia de Especialistas, grupo de 88 teólogos xiitas eleitos indiretamente, reuniu-se em sessão extraordinária para deliberar. O processo constitucional exige consenso entre os membros para nomear o líder supremo.

Mojtaba Khamenei, apesar de nunca ter exercido funções públicas formais, exercia influência decisiva nos bastidores. Sua proximidade com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi fator determinante na escolha.

A rapidez da sucessão, em menos de sete dias, demonstra a preparação prévia do regime para cenários de crise. Autoridades iranianas pediram união nacional em torno do novo líder.

Trajetória e influência de Mojtaba

Formado em estudos islâmicos, Mojtaba Khamenei destacou-se como conselheiro de seu pai em assuntos de segurança. Ele coordenou operações da IRGC durante protestos internos, incluindo a repressão ao Movimento Verde em 2009.

Conhecido por posições linha-dura, defendeu o enriquecimento de urânio e o apoio a grupos aliados como Hezbollah e Houthis. Sua gestão de redes econômicas militares garante autonomia financeira ao regime.

Diferente de reformistas como o presidente Masoud Pezeshkian, Mojtaba representa a continuidade teocrática. Sua eleição marginaliza vozes moderadas no cenário político iraniano atual.

  • Próximo à Guarda Revolucionária desde os anos 1990.
  • Envolvido na repressão a protestos de 2009 e 2022.
  • Controla setores econômicos ligados à defesa.
  • Defensor do programa nuclear sem negociações.

Reações internacionais e ameaças

Israel reagiu com dureza à nomeação. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o país não hesitará em eliminar o novo líder supremo, repetindo ameaças feitas antes da morte de Ali Khamenei.

Os Estados Unidos, sob Trump, intensificaram bombardeios contra instalações nucleares iranianas. O presidente afirmou que operações continuarão até a "desativação total da ameaça iraniana".

Na Europa, líderes pedem contenção, mas sanções adicionais ao Irã foram anunciadas. A China e Rússia condenaram os ataques ocidentais, prometendo apoio logístico a Teerã.

Consequências econômicas globais

O conflito provocou disparada nos preços do petróleo, que superaram US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. Mercados asiáticos e europeus registraram quedas acentuadas.

No Irã, a inflação galopante e escassez de combustíveis agravam a crise interna. Protestos populares eclodem em cidades como Isfahan, apesar da repressão militar.

Especialistas alertam para risco de recessão global caso o Estreito de Ormuz seja bloqueado. Exportações iranianas de gás para a Turquia já foram suspensas.

  • Petróleo Brent atingiu US$ 108 na segunda-feira.
  • Inflação iraniana supera 50% ao ano.
  • Risco de bloqueio no Estreito de Ormuz cresce.
  • Protestos internos enfrentam repressão severa.

Desafios para o futuro

O novo líder supremo assume em cenário de guerra aberta, com forças iranianas mobilizadas em múltiplas frentes. A coesão interna dependerá da capacidade de resposta militar efetiva.

Analistas preveem possível ativação de células do Hezbollah no Líbano e ataques houthis no Mar Vermelho. Uma solução diplomática parece improvável nos próximos meses.

A estrutura dual do poder iraniano, com clérigos e militares interligados, oferece resiliência. Contudo, o custo humano do conflito pode minar a legitimidade do regime a longo prazo.

O mundo acompanha com apreensão os próximos passos desta nova liderança, que definirá não apenas o destino do Irã, mas a estabilidade de todo o Oriente Médio.

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