Mojtaba Khamenei foi eleito novo líder supremo do Irã após morte do pai em bombardeio.
(Imagem: gerado por IA)
A Assembleia de Especialistas do Irã confirmou na noite de domingo a eleição do aiatolá Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo da República Islâmica. A escolha ocorre exatamente uma semana após o falecimento de seu pai, Ali Khamenei, vítima de ataques aéreos coordenados por Estados Unidos e Israel.
Com 56 anos, Mojtaba herda o cargo mais poderoso do país, que controla as Forças Armadas, define a política externa e supervisiona o Judiciário. A nomeação foi transmitida ao vivo pela televisão estatal, em um momento de intensas movimentações políticas internas.
Morte de Ali Khamenei e início do conflito
O aiatolá Ali Khamenei, que governou o Irã por quase quatro décadas desde 1989, foi morto em 28 de fevereiro. O bombardeio atingiu sua residência oficial em Teerã, em uma operação que Donald Trump, presidente dos EUA, confirmou publicamente.
O ataque marcou o início de uma escalada militar sem precedentes. Israel justificou a ação como resposta a supostos planos nucleares iranianos, enquanto o Irã retaliou com lançamentos de mísseis contra bases americanas no Iraque e alvos israelenses.
Tragédias humanitárias chocaram o mundo, como o ataque a uma escola em Mashhad, que deixou 168 crianças mortas. O conflito já soma mais de 1.300 civis iranianos vítimas, segundo estimativas oficiais.
- Ali Khamenei faleceu aos 86 anos em residência oficial em Teerã.
- Trump assumiu responsabilidade pelos bombardeios iniciais.
- Irã respondeu com mais de 200 mísseis em 48 horas.
- Escola bombardeada em Mashhad vitimou 168 estudantes.
Processo de escolha do sucessor
A Assembleia de Especialistas, grupo de 88 teólogos xiitas eleitos indiretamente, reuniu-se em sessão extraordinária para deliberar. O processo constitucional exige consenso entre os membros para nomear o líder supremo.
Mojtaba Khamenei, apesar de nunca ter exercido funções públicas formais, exercia influência decisiva nos bastidores. Sua proximidade com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi fator determinante na escolha.
A rapidez da sucessão, em menos de sete dias, demonstra a preparação prévia do regime para cenários de crise. Autoridades iranianas pediram união nacional em torno do novo líder.
Trajetória e influência de Mojtaba
Formado em estudos islâmicos, Mojtaba Khamenei destacou-se como conselheiro de seu pai em assuntos de segurança. Ele coordenou operações da IRGC durante protestos internos, incluindo a repressão ao Movimento Verde em 2009.
Conhecido por posições linha-dura, defendeu o enriquecimento de urânio e o apoio a grupos aliados como Hezbollah e Houthis. Sua gestão de redes econômicas militares garante autonomia financeira ao regime.
Diferente de reformistas como o presidente Masoud Pezeshkian, Mojtaba representa a continuidade teocrática. Sua eleição marginaliza vozes moderadas no cenário político iraniano atual.
- Próximo à Guarda Revolucionária desde os anos 1990.
- Envolvido na repressão a protestos de 2009 e 2022.
- Controla setores econômicos ligados à defesa.
- Defensor do programa nuclear sem negociações.
Reações internacionais e ameaças
Israel reagiu com dureza à nomeação. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o país não hesitará em eliminar o novo líder supremo, repetindo ameaças feitas antes da morte de Ali Khamenei.
Os Estados Unidos, sob Trump, intensificaram bombardeios contra instalações nucleares iranianas. O presidente afirmou que operações continuarão até a "desativação total da ameaça iraniana".
Na Europa, líderes pedem contenção, mas sanções adicionais ao Irã foram anunciadas. A China e Rússia condenaram os ataques ocidentais, prometendo apoio logístico a Teerã.
Consequências econômicas globais
O conflito provocou disparada nos preços do petróleo, que superaram US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. Mercados asiáticos e europeus registraram quedas acentuadas.
No Irã, a inflação galopante e escassez de combustíveis agravam a crise interna. Protestos populares eclodem em cidades como Isfahan, apesar da repressão militar.
Especialistas alertam para risco de recessão global caso o Estreito de Ormuz seja bloqueado. Exportações iranianas de gás para a Turquia já foram suspensas.
- Petróleo Brent atingiu US$ 108 na segunda-feira.
- Inflação iraniana supera 50% ao ano.
- Risco de bloqueio no Estreito de Ormuz cresce.
- Protestos internos enfrentam repressão severa.
Desafios para o futuro
O novo líder supremo assume em cenário de guerra aberta, com forças iranianas mobilizadas em múltiplas frentes. A coesão interna dependerá da capacidade de resposta militar efetiva.
Analistas preveem possível ativação de células do Hezbollah no Líbano e ataques houthis no Mar Vermelho. Uma solução diplomática parece improvável nos próximos meses.
A estrutura dual do poder iraniano, com clérigos e militares interligados, oferece resiliência. Contudo, o custo humano do conflito pode minar a legitimidade do regime a longo prazo.
O mundo acompanha com apreensão os próximos passos desta nova liderança, que definirá não apenas o destino do Irã, mas a estabilidade de todo o Oriente Médio.