Viagem de Lula à Índia foca em cúpula de IA e negociações bilaterais.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta quarta-feira (18) uma agenda oficial na Índia, com duração até 21 de fevereiro. A viagem parte de Brasília na tarde desta terça (17), com escala em Túnis antes de chegar a Nova Délhi.
Essa visita à Índia retribui a presença do primeiro-ministro Narendra Modi no Brasil, durante o BRICS de 2025, e busca intensificar laços comerciais e tecnológicos entre as nações. O comércio bilateral registrou US$ 15,2 bilhões no ano passado, posicionando a Índia como um dos principais parceiros do Brasil.
Cúpula internacional sobre inteligência artificial
Entre 19 e 20 de fevereiro, Lula toma parte na Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi. O encontro prossegue o processo de Bletchley, iniciado em 2023 no Reino Unido, com discussões sobre governança ética e riscos da tecnologia.
Durante a visita à Índia, o Brasil defende a inclusão de nações em desenvolvimento nas regras globais de IA, enfatizando equidade e proteção de dados. Líderes mundiais buscam consensos para mitigar desigualdades ampliadas pela automação e algoritmos.
- Evento reúne dezenas de países para alinhar políticas de regulação.
- Foco em segurança cibernética e impactos socioeconômicos da IA.
- Brasil propõe visão equilibrada entre inovação e direitos humanos.
Reunião bilateral com Narendra Modi
No encerramento da agenda, dia 21, ocorre a visita de Estado ao primeiro-ministro indiano. Os líderes devem tratar de multilateralismo, reforma da ONU e cooperações em defesa, aviação civil e energias renováveis.
A visita à Índia prioriza também minerais críticos, essenciais para baterias e eletrônicos, além de saúde pública. O ministro Alexandre Padilha acompanha discussões sobre parcerias farmacêuticas, incluindo transferência de tecnologias e produção local de remédios.
Outros pontos envolvem turismo, agricultura e biocombustíveis, com visitas a instalações indianas de ponta. Essa interação reflete o potencial sinérgico entre as economias, uma exportadora de commodities e a outra de manufaturados avançados.
- Índia figura como quinto maior parceiro comercial do Brasil em 2025.
- Ampliação do acordo tarifário Mercosul-Índia está em negociação.
- Meta de US$ 20 bilhões em trocas até 2030 impulsiona setores chave.
Missão empresarial e oportunidades de negócios
A delegação reúne autoridades e executivos, coordenados pela ApexBrasil, para prospectar investimentos mútuos. Prioridades incluem exportações de proteína animal, etanol e máquinas agrícolas para o mercado indiano.
Na visita à Índia, empresários buscam inserir produtos brasileiros em cadeias de suprimentos asiáticas, enquanto atraem capitais para mineração sustentável e agroindústria. Avanços prévios, como os de 2025 em energia, pavimentam novos contratos.
Os ganhos esperados abrangem criação de empregos, modernização industrial e diversificação externa. Para pequenas empresas, mecanismos como Reintegra facilitam entrada no vasto consumo indiano de 1,4 bilhão de habitantes.
- Setores alvo: agricultura, energia limpa e minerais estratégicos.
- Índia demanda commodities como açúcar e soja brasileira.
- Parcerias geram inovação em saúde e tecnologias digitais.
Histórico das relações e desdobramentos
As visitas de Lula à Índia, em 2004 e 2007, estabeleceram bases sólidas para a parceria. Diálogos recentes por telefone reforçaram compromissos em ciência e defesa, preparando o terreno para essa etapa.
Após a Índia, Lula segue à Coreia do Sul em 22 de fevereiro, retornando ao Brasil no dia 24. A visita à Índia sinaliza a estratégia brasileira de conectar Sul Global via acordos pragmáticos e multilaterais.
No longo prazo, espera-se aceleração em negociações comerciais e posicionamento conjunto em fóruns globais. A ênfase em IA e sustentabilidade alinha interesses comuns, prometendo benefícios recíprocos em um mundo interdependente.
Essa iniciativa diplomática exemplifica como relações bilaterais podem impulsionar crescimento econômico e estabilidade internacional, com impactos diretos na competitividade nacional.