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Bloco Quizomba leva conscientização sobre ecologia e feminicídio ao Aterro do Flamengo no carnaval 2026

17 fev 2026 - 14h40 Joice Gomes   atualizado às 14h41
Bloco Quizomba leva conscientização sobre ecologia e feminicídio ao Aterro do Flamengo no carnaval 2026 Bloco Quizomba desfila no Aterro do Flamengo promovendo ecologia e luta contra feminicídio. (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Bloco Quizomba animou o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (17) de carnaval, arrastando uma multidão com temas dedicados à ecologia e ao combate ao feminicídio.

O desfile, que ocorreu sob o sol forte da tarde, destacou a necessidade de reflexão em meio à folia, transformando a avenida em um espaço de conscientização ambiental e social.

Com uma bateria de 160 integrantes, formada por alunos da oficina de percussão no Circo Voador, o bloco misturou samba, axé, marchinhas e ritmos variados, criando uma festa plural e inclusiva.

Origem e trajetória do bloco

O Bloco Quizomba foi criado em 2001 no Rio de Janeiro, a partir de uma oficina de percussão que reuniu amigos apaixonados pelo carnaval e pela diversidade musical brasileira.

Desde o primeiro desfile na Barra da Tijuca, com cerca de 600 pessoas, o grupo evoluiu para um dos principais nomes do carnaval de rua carioca, especialmente após se tornar residente no Circo Voador, na Lapa.

Em 2011, para celebrar os 10 anos, lançou DVD e CD gravados ao vivo, consolidando sua posição como referência em misturas de samba-enredo, rock, MPB e sucessos de artistas como Tim Maia e Jorge Ben Jor.

  • O nome Quizomba vem de inspiração em samba de Luiz Carlos da Vila, representando a festa da raça.
  • A oficina de percussão continua sendo o coração do bloco, formando ritmistas e foliões.
  • O grupo expandiu para shows pelo Brasil e desfiles em São Paulo, mantendo a essência carioca.

Temas centrais do desfile de 2026

O enredo "Verde que te Quero Ver" trouxe fantasias com folhas e elementos naturais, enfatizando a recuperação de biomas e a urgência de ações pelo planeta.

O fundador André Schmidt destacou que o carnaval é um "teatro a céu aberto" ideal para debater o futuro ambiental, chamando atenção para a preservação em um momento de desafios climáticos crescentes no Brasil.

Em paralelo, a parceria com o movimento Levante Mulheres Vivas abordou o feminicídio, um problema grave que registrou recordes em 2025, com 1.470 casos no país, equivalendo a quatro mortes por dia.

Dados do Ministério da Justiça mostram São Paulo como líder com 233 casos, seguido de Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104), refletindo a necessidade de conscientização contínua.

  • O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julgou 15.453 casos de feminicídio em 2025, alta de 17% ante 2024.
  • Foram concedidas 621.202 medidas protetivas, ou 70 por hora, para proteger vítimas.
  • Schmidt enfatizou a responsabilidade masculina em apoiar pautas feministas e dialogar contra a violência.

Participação popular e depoimentos

Foliões de diversas origens lotaram o Aterro do Flamengo, atraídos pelo repertório eclético que vai de samba-reggae a pop rock, reforçando o caráter plural do Bloco Quizomba.

A publicitária Patrícia Lima, que toca tamborim há três anos após se apaixonar como espectadora, elogiou a diversidade musical que inclui MPB e samba-enredo.

A professora Andreia Martins, vinda de Juiz de Fora para seu primeiro carnaval no Rio, destacou a importância dos temas: "A natureza está pedindo socorro, e reforçar a ancestralidade com tambores é essencial".

O evento faz parte de uma programação ampla no Rio, com 462 blocos previstos para 2026, misturando crítica social e irreverência em meio a 6,8 milhões de foliões esperados.

Impacto e perspectivas futuras

Iniciativas como a do Bloco Quizomba demonstram como o carnaval pode ir além da diversão, promovendo debates sobre ecologia e direitos humanos de forma acessível e festiva.

No contexto de 2026, com desafios ambientais como desmatamento e mudanças climáticas, e sociais como o aumento de feminicídios apesar de mais julgamentos e proteções, ações culturais ganham relevância.

Para o futuro, o bloco planeja manter oficinas e desfiles, possivelmente expandindo parcerias para ampliar o alcance das mensagens, inspirando outros grupos a adotar temas engajados.

Especialistas em carnaval de rua veem nesses eventos um potencial para mobilização coletiva, especialmente em um ano em que o Rio busca revitalizar tradições com foco em sustentabilidade e igualdade.

  • Desfiles como esse incentivam diálogo entre gerações sobre preservação ambiental.
  • A integração de pautas sociais fortalece a rede de apoio a vítimas de violência.
  • O sucesso reforça o papel do carnaval como plataforma de transformação cultural.

O desfile do Bloco Quizomba no Aterro do Flamengo não só animou o carnaval 2026, mas plantou sementes de consciência para ações concretas no dia a dia.

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