Iniciativa inédita revela perfil de alunos e docentes para fortalecer o sistema nacional de ensino.
(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O censo da pós-graduação stricto sensu, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), está aberto até 26 de fevereiro de 2026. Iniciativa anual inédita, o levantamento coleta dados sobre mestrados e doutorados em todo o Brasil para subsidiar políticas públicas mais eficazes.
Na Plataforma Sucupira, pós-graduandos, docentes permanentes e colaboradores, pesquisadores pós-doutorais e coordenadores de programas devem preencher formulários individuais e obrigatórios. Cada questionário é adaptado ao perfil do respondente, com perguntas de múltipla escolha e orientações claras para garantir precisão nos dados.
Os coordenadores de Programas de Pós-Graduação (PPGs) têm a responsabilidade de monitorar o preenchimento e assegurar adesão total. Programas precisam atingir pelo menos 95% de respostas para homologação. Resultados saem em 16 de novembro de 2026.
Censo revela perfil da pós-graduação brasileira
A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destaca que o censo da pós-graduação preenche uma lacuna crucial após 60 anos de institucionalização do ensino stricto sensu no país. "Precisamos saber quem são os pós-graduandos, docentes, quantas mulheres, homens, pardos, indígenas em cada região", afirma ela em entrevista exclusiva.
O levantamento mapeia desigualdades regionais, inclusão de grupos vulneráveis e impactos da parentalidade na trajetória acadêmica. Dados autodeclaratórios permitirão análises quali-quantitativas, focando em impactos sociais e inovação, além de métricas tradicionais como artigos publicados.
Questionários abordam saúde mental, evasão baixa (cerca de 5%), bolsas de estudo e interação com o setor produtivo. "A bolsa sustenta o aluno para focar na pesquisa, gerando profissionais que impulsionam o desenvolvimento nacional", explica Denise.
Parentalidade e inclusão no foco das políticas
A parentalidade ganha destaque no censo da pós-graduação, revelando barreiras para mães e pais na produção acadêmica. Agora, períodos de licença-maternidade ou paternidade não contam contra avaliações, prorrogando bolsas e prazos para docentes e alunos.
Mulheres são maioria entre mestres e doutores desde 1997, mas o corpo docente permanece majoritariamente masculino devido a viés implícito e sobrecarga familiar. O censo ajudará a criar equidades, como ajustes em critérios de credenciamento de orientadores.
- Inclusão de cotas na pós-graduação, via Lei nº 14.723/2023, com autonomia universitária;
- Avaliação positiva para PPGs com políticas afirmativas efetivas;
- Mapeamento de pretos, pardos, indígenas, quilombolas e PCDs para reparação histórica.
"Cotas na graduação mantiveram excelência; agora, visam permanência na pós", reforça a presidente da Capes. Iniciação científica já diversifica perfis premiados, provando eficácia das ações afirmativas.
Desafios regionais e futuro da formação de doutores
O censo da pós-graduação identificará carências fora do Sul e Sudeste, guiando distribuição de bolsas e expansão de programas. "Devemos equilibrar regiões e áreas do conhecimento para reduzir desigualdades sociais", defende Denise Pires de Carvalho.
Saúde mental é multifatorial, mas o ambiente pós-gradual tem evasão baixa comparada à graduação (menos de 10% vs. 40-50%). Foco em menos estresse sem perder qualidade, ampliando bolsas – maioria dos alunos não as recebe.
O Brasil precisa de doutores para renovar o corpo docente (80-100% doutores em federais) e fomentar inovação. Estágio obrigatório agora inclui empresas, via Nova Indústria Brasil, com parcerias Embrapii e Finep. Avaliações priorizam impactos regionais e sociais.
Até agora, quase 70% dos 504 mil envolvidos responderam, com 150 PPGs 100% completos. "Queremos finalizar rápido para analisar e mostrar o retrato da pós-graduação à sociedade", conclui a presidente.
Para participar, acesse sucupira.capes.gov.br, faça login via gov.br ou Capes, e clique em "Participe do Censo 2025". Tutoriais em vídeo e texto facilitam o processo, que leva 5-7 minutos. Contribua para um ensino superior mais justo e desenvolvido.