Estudantes brasileiros de 15 anos avaliados pelo Pisa 2025 mostram evolução histórica, mas desafios estruturais persistem nas escolas públicas.
(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A possível mudança na jornada de trabalho pode elevar em até 17% os custos das escolas privadas. A estimativa considera o aumento das despesas com pessoal e a necessidade de reorganizar as equipes para manter o funcionamento das instituições de ensino. Nesse cenário, o impacto financeiro para o setor pode chegar a R$ 17,3 bilhões por ano.
O aumento dos custos está relacionado à possível substituição da escala 6x1, em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um, por um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Com a redução da jornada, as escolas poderão precisar contratar funcionários, ampliar equipes ou reorganizar turnos para manter os serviços em funcionamento.
A pressão sobre o orçamento também pode chegar às famílias. Projeções do setor educacional indicam que as mensalidades escolares podem ter reajustes entre 8% e 11% em 2027. Esse percentual, porém, é uma estimativa de repasse dos custos e não significa que todas as instituições aplicarão o mesmo aumento.
Estudo aponta alta de até 17% nos custos das escolas
Um levantamento da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), em parceria com a consultoria NumberTalks, apresenta dois cenários para o impacto da redução da jornada sobre as despesas do setor educacional.
Na projeção mais favorável, os gastos com a folha de pagamento poderiam aumentar 9%, o que representaria um custo adicional estimado em R$ 9,3 bilhões por ano. Já no cenário considerado mais provável, a alta chegaria a 17%, com impacto anual de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
A elevação está relacionada principalmente à necessidade de manter o funcionamento das escolas mesmo com a redução dos dias de trabalho. Dependendo da estrutura de cada instituição, poderá ser necessário contratar novos profissionais, ampliar equipes ou reorganizar os turnos dos funcionários.
O efeito pode atingir diferentes áreas, como atendimento administrativo, limpeza, segurança, alimentação e apoio aos estudantes. Em unidades que funcionam durante todo o dia ou oferecem atividades extracurriculares, a adaptação das escalas pode exigir mudanças maiores na distribuição dos trabalhadores.
Mensalidades escolares podem subir de 8% a 11% em 2027
Além do aumento de até 17% nos custos, o setor educacional trabalha com a possibilidade de reajustes entre 8% e 11% nas mensalidades em 2027. A projeção considera a pressão adicional sobre o orçamento das instituições caso a mudança na jornada seja implementada.
Os percentuais representam impactos diferentes: os 17% correspondem à projeção de aumento das despesas com pessoal no cenário mais provável, enquanto a faixa de 8% a 11% se refere à estimativa de reajuste das mensalidades.
O valor efetivo cobrado das famílias dependerá das condições financeiras de cada escola, da estrutura de funcionários, dos custos operacionais e da capacidade de absorver parte das despesas. Por isso, não significa que todas as instituições aplicarão o mesmo percentual de aumento.
No Rio Grande do Sul, o presidente do sindicato que representa as escolas privadas apresentou uma avaliação própria. Segundo ele, os custos adicionais poderiam ficar entre 12% e 15%. Somados à inflação, esses gastos poderiam resultar em reajustes de 23% a 24% nas mensalidades naquele contexto.
Essa estimativa é específica da avaliação do representante gaúcho e não deve ser confundida com a projeção nacional de reajustes entre 8% e 11%.
Por que o fim da escala 6x1 pode afetar o funcionamento das escolas?
A adoção de uma jornada com cinco dias de trabalho e dois de descanso exigiria que as instituições revisassem a distribuição dos horários e das equipes. O desafio seria manter os serviços disponíveis aos estudantes e às famílias sem ultrapassar os limites da nova carga horária.
Escolas com atividades em período integral, aulas em diferentes turnos e serviços complementares podem precisar de mais profissionais para cobrir os horários de funcionamento. A necessidade de substituições e de novas contratações também pode aumentar os gastos.
A adaptação não deve ocorrer da mesma forma em todas as instituições. O impacto dependerá do número de funcionários, da jornada atualmente praticada, do modelo de atendimento e da organização de cada unidade.
Além dos custos com pessoal, as escolas terão de avaliar como preservar a qualidade do ensino, a segurança e os serviços de apoio durante uma eventual transição.
Quando a mudança na escala 6x1 pode entrar em vigor?
A implementação de uma nova jornada depende das regras definitivas e da conclusão dos procedimentos legais necessários. O cronograma mencionado nas discussões sobre a proposta prevê uma redução gradual da carga semanal, com etapas até alcançar 40 horas.
A data de 15 de dezembro de 2026 foi indicada no material de referência como previsão para o início da mudança. No entanto, a aplicação dessa data precisa ser confirmada à luz do texto legal definitivo e de sua situação jurídica.
Enquanto as regras não estiverem efetivamente estabelecidas, os impactos financeiros projetados para as escolas devem ser tratados como estimativas. O aumento de até 17% nos custos e a possível alta das mensalidades em 2027 dependerão do formato final da mudança e da capacidade de adaptação das instituições.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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