0:00 Ouça a Rádio
Sex, 11 de Setembro
Gatilhos invisíveis

O sinal do jantar: cientistas revelam o que ativa o instinto de ataque dos tubarões

Cientistas desvendam os gatilhos exatos que provocam ataques de tubarão-cabeça-chata e revelam como evitar a perigosa 'tempestade perfeita' no mar.

28 jul 2026 - 08h08 Joice Gomes   atualizado às 08h10
O sinal do jantar: cientistas revelam o que ativa o instinto de ataque dos tubarões Tubarão cabeça chata nadando em águas tropicais, um dos predadores mais adaptáveis dos oceanos. (Imagem: Divulgação)

O sobrevivente de um ataque brutal de tubarão e uma renomada bióloga marinha decidiram desvendar o que realmente aciona o instinto de caça de um dos predadores mais temidos dos oceanos: o tubarão-cabeça-chata. A resposta para essa pergunta não apenas explica incidentes trágicos ao redor do mundo, mas também redefine o que sabemos sobre a segurança em águas profundas.

Paul De Gelder, ex-mergulhador militar que perdeu a perna e a mão direita em um ataque em 2009, juntou-se à especialista Rosie Moore para testar, de forma prática, quais estímulos funcionam como um verdadeiro "sinal de jantar" para esses animais. O resultado desses testes acende um alerta urgente para banhistas, mergulhadores e pescadores.

Diferente do que o imaginário popular sugere, os humanos não fazem parte do cardápio natural desses predadores. Na prática, isso muda mais do que parece, pois revela que a maioria das mordidas é fruto de uma combinação desastrosa de fatores ambientais e comportamentais.

O que está por trás do comportamento do tubarão-cabeça-chata

Considerado uma das espécies mais agressivas e territoriais, o tubarão-cabeça-chata tem grande capacidade de adaptação e costuma frequentar águas rasas e estuários. No Brasil, por exemplo, a espécie é frequentemente associada a incidentes na costa de Pernambuco, como aponta o biólogo marinho Marcelo Szpilman.

Para entender o que desperta a agressividade desse predador de emboscada, a dupla de pesquisadores viajou até Jupiter Ledge, na Flórida, uma região conhecida pela altíssima concentração da espécie. Lá, eles isolaram três variáveis críticas: as tempestades, o odor da presa e a vibração na água.

Como o clima e a chuva afetam o instinto do predador

O primeiro grande teste focou em um elemento frequentemente ignorado pelos banhistas: a chuva. Os pesquisadores observaram que as tempestades geram um padrão constante de vibrações na superfície do oceano, o que parece agitar os tubarões e incitar o comportamento de caça.

Durante o experimento, enquanto Rosie Moore mergulhava cercada por tubarões, De Gelder simulou o impacto de uma forte chuva na superfície utilizando uma bomba de água de alta pressão. Quase instantaneamente, o número de predadores na área aumentou e o ritmo de seus movimentos acelerou drasticamente.

E é aqui que está o ponto central: ao mesmo tempo em que a chuva limita a visibilidade da água, ela funciona como um chamado vibratório de que há potenciais presas se debatendo na superfície.

O sinal do jantar e o erro do comportamento humano

Os testes seguintes focaram na alimentação e no impacto das atividades humanas. Ao oferecer diferentes tipos de iscas, a equipe descobriu que os tubarões ignoraram completamente a carne suína (que simula a carne de mamíferos), mas atacaram ferozmente caixas com peixes extremamente oleosos e gordurosos.

Isso significa que, ao nadar perto de cardumes de peixes gordos ou em áreas de pesca ativa, os humanos entram involuntariamente na rota de colisão de uma caçada frenética. Para piorar a situação, a pesca submarina funciona como um ímã de predadores, pois as vibrações de um peixe arpoado se debatendo são detectadas a quilômetros de distância.

Mas o impacto vai além da pesca. Em um último teste de alta tensão, De Gelder saltou do barco provocando um grande impacto e forte turbulência na água. Em poucos segundos, diversos tubarões-cabeça-chata emergiram das profundezas em direção ao ponto de impacto, provando que movimentos bruscos e barulho excessivo são interpretados como uma presa vulnerável.

Compreender esses gatilhos é a chave para a coexistência segura. Ao evitar o mar durante chuvas fortes, manter distância de atividades de pesca e evitar saltos barulhentos em áreas de risco, é possível neutralizar a "tempestade perfeita" que coloca nossas vidas em perigo sob as ondas.

Mais notícias
Bastidores do Apple Park: o que esperar do histórico lançamento do novo iPhone sob nova liderança
Curiosidades Bastidores do Apple Park: o que esperar do histórico lançamento do novo iPhone sob nova liderança
Restauração de terras: por que o protagonismo indígena é a chave para salvar a Amazônia
Curiosidades Restauração de terras: por que o protagonismo indígena é a chave para salvar a Amazônia
Fim de uma distorção de 450 anos: ONU aprova novo mapa-múndi que mostra tamanho real de continentes
Curiosidades Fim de uma distorção de 450 anos: ONU aprova novo mapa-múndi que mostra tamanho real de continentes
iPhone 18: o que esperar dos preços e do inédito modelo dobrável da Apple
Curiosidades iPhone 18: o que esperar dos preços e do inédito modelo dobrável da Apple
Brasil ganha soberania climática com novo modelo de previsão do tempo do Inpe
Curiosidades Brasil ganha soberania climática com novo modelo de previsão do tempo do Inpe
Estudo revela que tecidos do corpo humano envelhecem em ritmos diferentes
Biologia Estudo revela que tecidos do corpo humano envelhecem em ritmos diferentes
Por que mosquitos picam umas pessoas mais que outras? Ciência explica
Biológico Por que mosquitos picam umas pessoas mais que outras? Ciência explica
Vinagre na água do arroz funciona? Ciência explica truque popular
Científico Vinagre na água do arroz funciona? Ciência explica truque popular
SBP alerta para os riscos do uso de canetas emagrecedoras por jovens
Saúde SBP alerta para os riscos do uso de canetas emagrecedoras por jovens
Quase um terço dos usuários de internet no Brasil sofreu tentativas de golpe digital, aponta Cetic.br
Segurança Quase um terço dos usuários de internet no Brasil sofreu tentativas de golpe digital, aponta Cetic.br
Mais Lidas
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Postos lucram mais com lojas de conveniência do que com combustíveis
Estratégico Postos lucram mais com lojas de conveniência do que com combustíveis
Brasil enfrenta Costa Rica na semifinal da Copa América de futebol de cegos
Religião Brasil enfrenta Costa Rica na semifinal da Copa América de futebol de cegos
O Brasil enfrenta a Costa Rica na semifinal da Copa América de futebol de cegos, buscando o sétimo título do torneio. A partida acontece no CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, com transmissão online.