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Exoneração de comissionados

Faxina no Rio Metrópole: Governo exonera 30 e trava contratos após desvio de R$ 80 milhões

Governo do Rio exonera 30 servidores e congela contratos do Instituto Rio Metrópole após operação contra desvio de R$ 80 milhões em recursos públicos.

23 jul 2026 - 08h35 Joice Gomes   atualizado às 08h37
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Faxina no Rio Metrópole: Governo exonera 30 e trava contratos após desvio de R$ 80 milhões Sede do Instituto Rio Metrópole, órgão estadual fluminense que virou alvo de investigação por desvios milionários de recursos públicos. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A canetada que exonerou 30 servidores comissionados e congelou pagamentos no Instituto Rio Metrópole (IRM) expõe a urgência do Palácio Guanabara em conter os danos de um esquema que drenou mais de R$ 80 milhões dos cofres públicos fluminenses. O movimento ocorre logo após a prisão preventiva da cúpula da autarquia, acusada de transformar o órgão em um balcão de negócios ilícitos.

A decisão de paralisar todos os repasses financeiros e contratos em efervescência, associada a uma auditoria interna de 30 dias com o suporte da Controladoria-Geral do Estado (CGE), representa uma tentativa de estancar a sangria de recursos destinados a áreas cruciais, como mobilidade, saneamento básico e habitação popular.

No comando interino da autarquia agora está o secretário de Estado de Governo, Roberto Lisandro Leão, que acumula funções para tentar reestruturar uma máquina administrativa que, segundo o Ministério Público, foi completamente capturada pelo crime organizado de colarinho branco.

O que muda na prática com o congelamento dos contratos

Na prática, o freio de arrumação imposto pelo governo estadual paralisa projetos de infraestrutura que impactam diretamente a vida de milhões de moradores da Região Metropolitana do Rio. O IRM, responsável por planejar e integrar políticas urbanas, agora passa por um pente-fino que promete expor a extensão real das fraudes licitatórias.

O comitê formado por técnicos do próprio instituto e auditores da CGE tem uma missão espinhosa: identificar quais serviços contratados de fato existem e quais serviam apenas como fachada para desvios de recursos entre julho de 2022 e maio de 2026. E é aqui que está o ponto central: a população acaba sendo a principal penalizada pela paralisação de projetos essenciais de infraestrutura urbana.

Como funcionava o esquema que minou a autarquia

As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro detalham uma estrutura criminosa profissional instalada no coração do IRM. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

No topo da pirâmide do esquema estava Davi Perini Vermelho, o "Didê", ex-presidente do órgão e figura de forte trânsito político, além de Maurício Silva Knoploch dos Santos, então diretor de Planejamento e integrante da comissão de licitação. A rede de influência contava ainda com a participação de Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano e delegado da Polícia Civil, demonstrando a infiltração de agentes do Estado no esquema.

A radiografia de um estado refém da corrupção

A gravidade do caso levou o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, a fazer um diagnóstico amargo, porém realista: o estado enfrenta um ambiente institucional estruturalmente voltado à corrupção. Esse cenário de desvios crônicos ajuda a explicar por que o Rio de Janeiro patina em crises fiscais sucessivas há décadas, enquanto serviços públicos básicos continuam precários.

Mas o impacto vai além deste caso específico. O Ministério Público já sinalizou que o escândalo do Rio Metrópole é apenas a ponta de um iceberg, e outros contratos de alta relevância financeira estão na mira das autoridades de controle.

O desfecho desta crise desenhará o futuro da governança no estado. Se por um lado a atuação integrada das instituições sob a gestão transitória do Judiciário abre uma janela de oportunidade para punir os culpados, por outro, a paralisia dos projetos de saneamento e habitação pune temporariamente a população mais vulnerável. O grande desafio do Rio de Janeiro agora é provar que consegue se depurar sem interromper as entregas que o cidadão tanto necessita nas ruas.

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