São Paulo amplia o teste do pezinho para rastrear a AME e imunodeficiências primárias.
(Imagem: Freepik.com.br)
O teste do pezinho na rede pública de São Paulo passou a incluir o rastreamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) a partir de 12 de outubro de 2026. A medida abrange os 645 municípios paulistas e prevê alcançar aproximadamente 475 mil recém-nascidos por ano.
A Secretaria de Estado da Saúde formalizou a ampliação por meio da Resolução SS nº 212, publicada no Diário Oficial do Estado em 5 de outubro. A norma também inclui as imunodeficiências primárias no Programa de Triagem Neonatal.
O Governo de São Paulo prevê investir R$ 20,89 milhões por ano para custear os novos exames. O financiamento estadual garante a realização dos procedimentos enquanto o Ministério da Saúde não inclui os exames correspondentes na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) com financiamento federal específico.
Como será feito o rastreamento da AME?
O exame utiliza a mesma amostra de sangue coletada do calcanhar do recém-nascido durante o teste do pezinho. Dessa forma, a inclusão da análise genética não exige uma nova coleta de sangue nessa etapa.
O teste do pezinho costuma ser realizado após as primeiras 48 horas de vida e até o quinto dia, conforme as orientações da triagem neonatal.
Quando o resultado aponta suspeita de Atrofia Muscular Espinhal, a equipe de saúde encaminha o bebê para um serviço especializado. Os profissionais realizam exames complementares para confirmar ou descartar a doença.
A triagem não confirma o diagnóstico sozinha. Por isso, a avaliação especializada representa uma etapa importante para identificar a condição e orientar os próximos cuidados.
Implantação ocorre por meio de laboratórios de referência
A Resolução SS nº 212 estabelece que três serviços de referência participem da realização dos exames: o Instituto Jô Clemente, o Hospital das Clínicas da Unicamp e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, por meio da FAEPA.
A implantação começa pelo Instituto Jô Clemente, responsável pela área de abrangência definida na rede estadual. A Unicamp e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto devem iniciar os exames após concluir as adequações estruturais necessárias.
O governo estadual distribui os recursos conforme a cobertura de cada laboratório. O Instituto Jô Clemente receberá R$ 15,87 milhões por ano, enquanto a Unicamp contará com R$ 3,69 milhões e o serviço de Ribeirão Preto, com aproximadamente R$ 1,33 milhão.
O que é a Atrofia Muscular Espinhal?
A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética rara que afeta os neurônios motores, responsáveis pelos comandos que o sistema nervoso envia aos músculos.
A condição pode provocar perda progressiva da força muscular e dificuldades para realizar movimentos. Dependendo do tipo e da gravidade, também pode comprometer a deglutição e a respiração.
Como algumas formas da doença evoluem rapidamente, a identificação precoce ajuda os profissionais a encaminhar a criança para avaliação e tratamento sem atrasos desnecessários. O acompanhamento médico considera as características de cada paciente e as opções terapêuticas disponíveis.
Como fazer o teste do pezinho pelo SUS?
As famílias devem procurar a maternidade ou a unidade de saúde responsável pelo acompanhamento do recém-nascido para receber orientações sobre a coleta.
O teste do pezinho permite rastrear doenças que exigem atenção desde os primeiros dias de vida. Com a ampliação do programa paulista, a rede pública passa a incluir a AME e as imunodeficiências primárias entre as condições investigadas.
Pollyana Barros Leite integra a equipe de jornalismo, atuando na área de edição de notícias. É formada em Direito e Biologia e possui experiência em produção e edição de conteúdo jornalístico, com ênfase em programas gov...
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