Péssimas condições de trabalho na escola de Boqueirão dos Vieiras
(Imagem: Foto: SINTSERM)
O Brasil registrou resultados abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três principais áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025: matemática, leitura e ciências. Um dos dados que chamam a atenção é que 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência simultaneamente nas três disciplinas.
O percentual foi divulgado no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, elaborado pelo Todos Pela Educação com base nos dados da OCDE. O levantamento mostra que o desempenho dos jovens brasileiros continua sendo um desafio para o sistema educacional do país.
Na avaliação, o Brasil alcançou 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências. As notas ficaram abaixo das médias da OCDE nas três áreas. Em matemática, o país ocupou a 71ª posição entre 89 participantes; em leitura, ficou na 52ª colocação; e, em ciências, na 67ª posição.
O que é o Pisa e quem participa da avaliação?
O Pisa é uma avaliação internacional organizada pela OCDE que mede conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos. O exame busca identificar como os jovens aplicam o que aprenderam em situações práticas, incluindo interpretação de textos, resolução de problemas matemáticos e compreensão de fenômenos científicos.
A edição de 2025 reuniu mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias, representando aproximadamente 33 milhões de jovens. No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Além das provas, o programa aplica questionários para analisar fatores relacionados ao ambiente escolar, às condições de aprendizagem e à realidade dos estudantes.
Quase 44% ficaram abaixo do nível mínimo nas três disciplinas
O dado de 43,8% representa a parcela de estudantes brasileiros que não alcançou o nível 2 de proficiência em nenhuma das três áreas avaliadas. O indicador é especialmente relevante porque o nível 2 é considerado o patamar básico de aprendizagem na metodologia do Pisa.
Na prática, estudantes que alcançam esse nível demonstram habilidades essenciais para lidar com situações cotidianas. Em leitura, por exemplo, conseguem identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações. Em matemática, podem reconhecer como representar matematicamente situações simples, como comparar distâncias ou converter preços. Em ciências, conseguem reconhecer explicações para fenômenos familiares e avaliar conclusões simples com base em dados.
O resultado brasileiro mostra que uma parcela expressiva dos jovens ainda não desenvolveu essas competências básicas de maneira consistente nas três áreas. O percentual de estudantes com baixo desempenho simultâneo era de 42,2% em 2022 e chegou a 43,8% em 2025.
É importante destacar que o indicador não equivale, isoladamente, a um diagnóstico de analfabetismo funcional. O Pisa mede competências específicas de estudantes de 15 anos, enquanto o conceito de analfabetismo funcional é utilizado em outras avaliações e contextos.
Matemática continua sendo o principal desafio
Entre as três disciplinas, matemática apresenta o cenário mais preocupante. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, enquanto a média da OCDE foi de 65%.
Em leitura, 49% dos participantes do Brasil atingiram o nível básico, diante de 69% na média da organização. Em ciências, o percentual brasileiro foi de aproximadamente 48%, contra 74% na média da OCDE.
Os resultados também mostram estabilidade em relação à edição anterior. Em 2022, o Brasil havia registrado 379 pontos em matemática, 410 em leitura e 403 em ciências. Em 2025, as notas foram de 377, 408 e 409 pontos, respectivamente. Segundo a OCDE, as médias brasileiras permaneceram praticamente no mesmo patamar nas três áreas.
Desempenho educacional também afeta a economia
Os resultados do Pisa vão além do ambiente escolar. A formação dos estudantes está relacionada à preparação de futuros profissionais e à capacidade de uma economia desenvolver atividades que exigem interpretação de informações, raciocínio lógico, domínio tecnológico e resolução de problemas.
Dificuldades persistentes nessas competências podem limitar oportunidades de formação e inserção no mercado de trabalho, além de representar obstáculos à inovação e ao aumento da produtividade.
O desempenho educacional, entretanto, não é o único fator que determina o crescimento econômico. Infraestrutura, investimento, qualificação profissional, tecnologia e políticas públicas também influenciam a capacidade de desenvolvimento de um país.
Os dados do Pisa 2025 reforçam, portanto, a dimensão do desafio brasileiro: ampliar o acesso à escola é fundamental, mas garantir que os estudantes aprendam e desenvolvam habilidades essenciais continua sendo uma das principais questões da educação nacional.