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Ter, 06 de Outubro
Custo-Brasil

Empresários propõem choque de gestão para colocar Brasil entre as 30 maiores economias do mundo

Empresários lançam agenda com 7 propostas para colocar o Brasil no top 30 da competitividade global até 2030, focando em equilíbrio fiscal e redução de custos.

16 jun 2026 - 08h32 Joice Gomes   atualizado às 08h34
Empresários propõem choque de gestão para colocar Brasil entre as 30 maiores economias do mundo Lideranças empresariais defendem que redução do Custo-Brasil é vital para atrair investimentos estrangeiros. (Imagem: gerado por IA)

O Brasil ocupa hoje a 58ª posição no Ranking Global de Competitividade, entre 69 nações avaliadas pelo instituto suíço IMD. Para reverter esse cenário de estagnação e baixa eficiência, um grupo de peso liderado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) apresentou um roteiro estratégico que pretende colocar o país no top 30 das economias mundiais até 2030. O plano não é apenas uma lista de desejos, mas um diagnóstico severo sobre as travas que impedem o crescimento nacional.

O documento, intitulado “Compromissos para um Brasil Competitivo”, foca no combate direto ao chamado “Custo-Brasil”, um gargalo que consome anualmente o equivalente a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, isso significa que produzir, transportar e empreender no país é significativamente mais caro e complexo do que em nossos concorrentes diretos, afastando capitais e sufocando a produtividade.

Para as lideranças empresariais, a janela de oportunidade está se fechando diante das rápidas transformações tecnológicas e geopolíticas globais. A meta é audaciosa: elevar a taxa de investimento, hoje em 16,8%, para pelo menos 20% do PIB, garantindo que o país não apenas consuma, mas construa infraestrutura e inovação de longo prazo.

Por que o equilíbrio fiscal é o ponto de partida

Dentre as sete propostas centrais da coalizão, a manutenção do equilíbrio das contas públicas aparece como o pilar inegociável. Sem uma trajetória fiscal clara, a confiança do investidor permanece abalada e os juros continuam em patamares que inviabilizam a expansão industrial. O MBC defende medidas impopulares, mas consideradas necessárias, como a moderação dos gastos obrigatórios e a desindexação de benefícios previdenciários do salário-mínimo.

Além disso, o documento toca em uma ferida aberta da administração pública: os supersalários. A proposta sugere um combate rigoroso a remunerações que extrapolam o teto constitucional, direcionando esses recursos para áreas que gerem retorno social e econômico imediato. No fundo, a mensagem é clara: o Estado precisa custar menos para que a sociedade possa produzir mais.

O que muda na prática com a governança e a segurança jurídica

Outro ponto crítico levantado pelos empresários é a necessidade de fortalecer a governança regulatória. Setores estratégicos como petróleo, gás, mineração e infraestrutura ainda sofrem com uma burocracia excessiva e mudanças súbitas nas regras do jogo. A agenda propõe uma simplificação que garanta segurança jurídica, permitindo que contratos de longo prazo sejam assinados sem o temor de reviravoltas políticas ou judiciais.

A modernização das relações de trabalho também integra o pacote. O desafio é adaptar a legislação aos novos modelos laborais sem abrir mão da proteção social, mas focando intensamente na educação técnica. A ideia é alinhar a formação profissional às reais demandas do mercado, reduzindo o descompasso entre as vagas abertas e a mão de obra disponível.

O impacto invisível da ilegalidade e da infraestrutura

Um dos dados mais alarmantes do documento revela que os mercados ilegais geram perdas de aproximadamente R$ 468 bilhões ao ano para o Brasil. Esse valor, que representa 4,3% do PIB, não afeta apenas a arrecadação, mas cria uma concorrência desleal que destrói empresas legítimas. Fortalecer o combate à pirataria e ao contrabando é visto como uma forma direta de aumentar a competitividade nacional.

Por fim, a agenda olha para o futuro digital. A transformação acelerada por inteligência artificial, automação e computação em nuvem é tratada como o motor que pode dar o salto de produtividade necessário. Integrar esses elementos a uma matriz logística diversificada e a uma energia competitiva é, na visão dos empresários, o único caminho para que o Brasil deixe de ser um eterno figurante no palco das potências globais.

Este plano agora deve servir como base para o debate com os futuros candidatos à presidência, sinalizando que o setor produtivo exige compromissos concretos com a eficiência e a sustentabilidade econômica, antes que o país perca mais uma década em promessas vazias.

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