Fachada de unidade do Atacadão, líder absoluta do setor de atacarejo no Brasil em 2025.
(Imagem: gerado por IA)
O faturamento de R$ 89,9 bilhões registrado pelo Atacadão em 2025 não é apenas um recorde corporativo; é o reflexo mais nítido de uma mudança profunda nos hábitos de consumo dos brasileiros. Ocupando o topo do 5º Ranking da ABAAS (Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço), a rede do Grupo Carrefour consolidou sua liderança absoluta em um mercado que, empurrado pela inflação e pelo endividamento das famílias, transformou o 'atacarejo' na principal escolha de abastecimento doméstico.
A distância para o segundo colocado, o Assaí, que registrou R$ 84,7 bilhões, revela um setor extremamente competitivo e em rápida expansão. Na prática, isso muda mais do que apenas os logotipos nas fachadas das cidades. O levantamento mostra que as 24 maiores redes do país movimentaram sozinhas cerca de R$ 360 bilhões no último ano, um montante que equivale a aproximadamente 3% de toda a riqueza produzida pelo Brasil (PIB).
O que muda na prática para o bolso do consumidor
Mas o impacto vai além dos grandes números macroeconômicos. O que está por trás desse crescimento de 11% em relação ao ano anterior é a migração em massa do consumidor final para as prateleiras de atacado. Se antes o modelo era focado em pequenos comerciantes e revendedores, hoje ele atrai famílias que buscam uma economia que chega a 20% no valor total do carrinho em comparação aos supermercados convencionais.
Para reter esse novo público, as redes de atacarejo deixaram de ser apenas galpões de estocagem. Agora, elas incorporam serviços que eram o diferencial do varejo tradicional: açougues com cortes na hora, padarias com produção própria, fatiamento de frios e seções de hortifrúti com frescor diário. Essa hibridização tornou a experiência de compra mais conveniente, eliminando a necessidade de o cliente visitar dois estabelecimentos diferentes para completar sua lista.
Expansão geográfica e o impacto no mercado de trabalho
E é aqui que está o ponto central da estratégia das gigantes: a proximidade. A expansão não se limita mais aos grandes centros. O Grupo Mateus, terceiro no ranking com R$ 43,6 bilhões, é um exemplo de como a força regional pode desafiar as líderes globais. Ao mesmo tempo, novas unidades continuam a brotar em pontos estratégicos, como a recém-inaugurada loja do Roldão em São Vicente e a futura unidade do Atacadão em Santos.
Essa corrida por novos endereços é também uma das principais engrenagens de empregabilidade no país. Atualmente, o setor sustenta 431 mil postos de trabalho diretos em mais de 2.100 lojas. Grupos como o Pereira, dono do Fort Atacadista, mantêm um ritmo acelerado de aberturas em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, provando que o fôlego do modelo ainda está longe de se esgotar.
A tendência para os próximos anos é que essa fronteira entre atacado e varejo se torne ainda mais tênue. Com a eficiência logística aprimorada e a oferta de serviços agregados, o atacarejo deixou de ser uma alternativa de crise para se tornar o novo padrão de consumo estrutural da sociedade brasileira, prometendo manter sua hegemonia no faturamento do varejo alimentar nacional.