Campo Grande recebe aeronaves e militares para o Cooperación XI, exercício internacional da FAB com foco em resgate, incêndios e ajuda humanitária.
(Imagem: Reprodução/Johnson Barros)
O céu de Campo Grande começou a ganhar uma movimentação diferente com a chegada das primeiras aeronaves que vão participar do Exercício Cooperación XI, operação internacional coordenada pela Força Aérea Brasileira na Base Aérea da capital sul-mato-grossense entre os dias 16 e 27 de março. A atividade reúne delegações de 22 países, além de militares brasileiros, em um treinamento voltado à resposta a desastres, missões de busca e salvamento, evacuação aeromédica e combate a incêndios.
A presença dos aviões e helicópteros já altera a rotina no espaço aéreo da cidade e deve continuar chamando a atenção da população nos próximos dias. A programação foi organizada para colocar em prática cenários complexos de emergência, com integração entre diferentes forças aéreas das Américas e uso combinado de meios aéreos em operações de ajuda humanitária.
Campo Grande foi escolhida como sede da edição de 2026 ainda durante o ciclo anterior do exercício, decisão confirmada no âmbito do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas, o SICOFAA. A escolha reforça o papel estratégico da Base Aérea local para operações de mobilização, logística e treinamento multinacional na região central do País.
Treinamento vai simular crises e resposta rápida
Durante os 11 dias de atividades, os participantes vão atuar em simulações que reproduzem situações de grande pressão operacional, como incêndios em voo, missões de busca e resgate e transporte aeromédico em cenários de crise. O objetivo é testar a coordenação entre países, padronizar procedimentos e acelerar a capacidade de resposta em desastres naturais ou emergências humanitárias.
Esse tipo de exercício tem peso prático porque envolve não apenas o emprego de aeronaves, mas também centros de comando, comunicações, planejamento tático e tomada de decisão conjunta. Na prática, o treinamento busca reduzir falhas de integração quando há necessidade real de apoio internacional em situações críticas, como grandes queimadas, enchentes, terremotos ou colapsos logísticos.
A edição deste ano também dá destaque ao enfrentamento de incêndios, tema que ganhou espaço nas ações de defesa e proteção civil em razão do aumento da frequência de eventos extremos no continente. Ao reunir países com diferentes capacidades aéreas, o exercício amplia a troca de experiência sobre logística, abastecimento, evacuação e coordenação em ambiente multinacional.
Aeronaves e estrutura mobilizadas em Campo Grande
Para a operação, a FAB prevê o emprego de aeronaves como o KC-390 Millennium, o SC-105 Amazonas, o H-60 Black Hawk e o C-98 Caravan, modelos usados em transporte, busca e salvamento, evacuação e apoio a missões especiais. A combinação desses vetores permite simular desde deslocamento de equipes e suprimentos até retirada de feridos e atuação em áreas de difícil acesso.
A movimentação não envolve apenas equipamentos brasileiros. Delegações estrangeiras também participam com pessoal especializado e meios aéreos, o que amplia a complexidade do exercício e exige uma estrutura robusta de recepção, coordenação e segurança operacional na Base Aérea de Campo Grande.
Nos bastidores, a realização de uma operação desse porte depende de meses de preparação. Reuniões de planejamento realizadas ao longo de 2025 e no início de 2026 definiram aspectos logísticos, protocolos de interoperabilidade e o desenho das missões que agora começam a ser executadas em Mato Grosso do Sul.
O que a operação representa para a cidade e para a região
Além do impacto visual no céu da capital, o exercício coloca Campo Grande no centro de uma agenda internacional de defesa, cooperação e assistência humanitária. A cidade passa a concentrar, por quase duas semanas, circulação ampliada de militares, equipes técnicas e aeronaves de vários países, consolidando sua base aérea como ponto relevante para treinamentos continentais.
Para a população, o principal efeito imediato é o aumento do fluxo de aeronaves, com sobrevoos e operações que podem ser percebidos em diferentes áreas urbanas. Embora se trate de um exercício planejado, a movimentação serve também para aproximar o debate sobre defesa e proteção civil da vida cotidiana, mostrando como a aviação militar é empregada em missões que vão muito além do campo estritamente bélico.
No plano estratégico, o Cooperación XI reforça uma lógica de cooperação regional baseada em resposta rápida a crises e capacidade de atuação conjunta. Em um cenário de desastres cada vez mais frequentes nas Américas, a integração entre forças aéreas tende a ganhar relevância tanto para salvar vidas quanto para acelerar o envio de equipes, mantimentos e suporte médico em situações de emergência.