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Qua, 15 de Julho
Ciência

Cabelos brancos podem indicar que o organismo reage contra o câncer, aponta estudo

15 jan 2026 - 22h07 Alexsander Arcelino   atualizado às 22h14
Pessoa com cabelos brancos representa estudo sobre mecanismo biológico de proteção contra o câncer Fios brancos podem refletir um mecanismo biológico de proteção celular, segundo estudo científico. (Imagem: Imagem ilustrativa / Canva)

Os cabelos brancos, tradicionalmente associados ao envelhecimento, podem ter um significado biológico mais profundo. Um estudo recente divulgado pela BBC News e publicado na revista científica Nature Cell Biology sugere que o surgimento dos fios grisalhos pode estar relacionado a um mecanismo natural do organismo para combater o desenvolvimento de câncer, especialmente o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele.

A pesquisa analisou o comportamento das chamadas células-tronco dos melanócitos, responsáveis por originar os melanócitos — células que produzem melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo e à pele. Essas células-tronco ficam armazenadas nos folículos capilares e são ativadas ao longo da vida para manter a pigmentação dos fios.

O que acontece nas células que dão origem aos cabelos brancos

Segundo os pesquisadores, quando essas células-tronco sofrem danos no DNA, especialmente quebras duplas — consideradas lesões genéticas graves —, elas podem entrar em um processo chamado de seno-diferenciação. Nesse mecanismo, as células amadurecem de forma irreversível e deixam de se multiplicar.

Com isso, essas células desaparecem do reservatório responsável pela produção de melanócitos, o que resulta na perda de pigmentação dos fios e no aparecimento dos cabelos brancos. Embora o efeito seja visível externamente, o processo teria um papel protetor no nível celular.

“Auto-sacrifício” celular como forma de proteção

De acordo com a professora Emi Nishimura, da Universidade de Tóquio, líder do estudo, esse comportamento funciona como uma estratégia de defesa do organismo.

“Essas descobertas mostram que a mesma população de células-tronco pode seguir destinos opostos — exaustão ou expansão — dependendo do tipo de estresse e dos sinais do microambiente”, explicou a pesquisadora.

Em termos práticos, ao interromper sua capacidade de se dividir, a célula danificada reduz o risco de acumular mutações perigosas. O embranquecimento do cabelo, nesse contexto, seria uma consequência visível de um mecanismo que ajuda a impedir o surgimento de tumores.

Quando o mecanismo falha, o risco de câncer aumenta

O estudo também identificou situações em que esse sistema de proteção pode falhar. Em casos de exposição intensa a carcinógenos químicos ou à radiação ultravioleta, algumas dessas células conseguem burlar o processo de autoeliminação.

Nessas circunstâncias, mesmo com danos no DNA, elas continuam se renovando, o que aumenta o risco de proliferação descontrolada e do desenvolvimento de cânceres como o melanoma.

“Isso reformula o entendimento do embranquecimento do cabelo e do câncer de pele, não como eventos isolados, mas como desfechos diferentes de respostas ao estresse celular”, afirmou Nishimura.

Novo olhar científico sobre os cabelos brancos

Embora os cabelos brancos não sejam, por si só, um indicativo de proteção contra o câncer, o estudo amplia a compreensão sobre como o organismo reage a danos celulares ao longo da vida. A descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre envelhecimento, prevenção do câncer e os mecanismos naturais de defesa do corpo humano.

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