Termômetros devem marcar temperaturas acima da média histórica em grande parte do Brasil durante o mês de junho.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O tradicional clima ameno de junho dará lugar a dias consideravelmente mais quentes em 2024. De acordo com as projeções mais recentes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Brasil deve enfrentar um mês de junho com temperaturas acima da média histórica em praticamente todo o território nacional, com destaque para a porção central do país.
Na prática, isso significa que aquele frio esperado para o início do inverno meteorológico pode ser interrompido por veranicos frequentes. Mas o impacto vai além do desconforto térmico: a combinação de calor e variações no regime de chuvas acende o alerta para setores estratégicos, como a agricultura e o abastecimento de água em grandes centros urbanos.
E é aqui que está o ponto central: enquanto partes do Sudeste caminham para um período mais seco, o Sul e áreas específicas do Nordeste devem se preparar para volumes de precipitação que superam o que é comum para esta época do ano.
O que muda na prática com o calor atípico
Os termômetros devem registrar altas sensíveis, com variações que podem chegar a 1,5 °C acima do esperado em estados como Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Goiás. No Sudeste, a previsão de tempo seco em grande parte de São Paulo e no sul mineiro reforça a preocupação com a baixa umidade do ar, típica deste período, mas agravada pelo calor persistente.
No Centro-Oeste, o cenário é semelhante. O Inmet indica que o leste de Goiás e o Mato Grosso do Sul sentirão o maior peso dessa anomalia térmica. Esse calor excessivo influencia diretamente no consumo de energia e na saúde respiratória, exigindo atenção redobrada das populações locais que já sofrem com a estiagem.
As chuvas e o risco para o Sul e o Nordeste
Se o calor é uma constante nacional, o regime de chuvas desenha um mapa de contrastes. No Sul, o Rio Grande do Sul continua em uma zona de atenção, com previsão de chuvas acima da média em quase todo o estado. Por outro lado, o Paraná e o nordeste de Santa Catarina devem seguir um ritmo mais próximo da normalidade ou até abaixo dela.
Já no Nordeste e no Norte, a umidade vinda do oceano deve trazer alívio para o calor em algumas áreas, com volumes generosos de chuva previstos para o norte do Maranhão, Piauí e a faixa litorânea que vai do Rio Grande do Norte até Alagoas. No Amazonas e no Pará, a instabilidade também deve ser frequente, embora algumas porções de Roraima enfrentem um cenário de seca mais severa.
Este cenário de extremos exige que o brasileiro adapte sua rotina. Com o clima se comportando de forma cada vez menos previsível, o monitoramento constante torna-se a ferramenta mais eficaz para mitigar os efeitos de um junho que promete ser mais parecido com um prolongamento do verão do que com o início do inverno.