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Saúde

Leite materno: o desafio de transformar o excedente em vida para bebês prematuros

Com liderança da Fiocruz, Brasil debate estratégias para evitar o descarte de leite materno e garantir o suprimento em UTIs neonatais durante todo o ano.

17 mai 2026 - 12h03 Joice Gomes   atualizado às 12h06
Leite materno: o desafio de transformar o excedente em vida para bebês prematuros Leite materno doado é processado e destinado a bebês prematuros em UTIs neonatais. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação (Imagem: gerado por IA)

Enquanto muitas mães lactantes descartam o excesso de leite por desconhecimento, milhares de recém-nascidos prematuros em unidades de terapia intensiva (UTIs) dependem de cada gota para sobreviver. Esse contraste é o motor do I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano, que acontece no Rio de Janeiro, promovido pela rBLH-BR/Fiocruz.

O evento marca os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano e traz à tona um dado alarmante: a doação ainda é flutuante e insuficiente para atender 100% da demanda nacional. Na prática, a falta de informação faz com que um recurso terapêutico valioso seja perdido diariamente em residências por todo o país.

Segundo Danielle Aparecida da Silva, coordenadora da rBLH e do Banco de Leite do IFF/Fiocruz, o maior obstáculo atual é a sensibilização. Muitas mulheres produzem mais do que seus filhos consomem, mas não sabem que esse excedente, após processamento e controle de qualidade, é o que garante a imunidade e o desenvolvimento de bebês de baixo peso.

Por que a doação é vital para a recuperação neonatal

O leite materno doado não é apenas um alimento; ele funciona como um recurso terapêutico estratégico. Para um bebê prematuro, ele atua diretamente no fortalecimento do sistema imunológico, acelera o desenvolvimento e, consequentemente, antecipa a alta hospitalar, reduzindo riscos de infecções graves.

Entretanto, o suprimento enfrenta quedas críticas em períodos específicos. Durante as férias escolares e as festas de fim de ano, o volume de doações despenca drasticamente. O desafio aumenta com a chegada do inverno, quando as doenças respiratórias lotam os leitos neonatais, elevando a procura enquanto os estoques permanecem instáveis.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o cenário é de estabilidade, mas sem o crescimento necessário para cobrir todos os hospitais. Já no Distrito Federal, o modelo de gestão alcançou a autossuficiência, conseguindo atender a totalidade dos bebês internados, um exemplo que a Fiocruz busca expandir para as regiões Norte e Nordeste.

O Brasil como referência mundial em tecnologia e solidariedade

Há quatro décadas, o Brasil lidera soluções inovadoras que transformaram a Fiocruz no único Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Bancos de Leite Humano no mundo. Essa expertise é exportada para diversos países, consolidando a rede brasileira como a mais complexa e eficiente do planeta.

Um dos grandes avanços recentes foi a democratização das campanhas. Desde a pandemia, a escolha dos slogans, como o impactante "A solidariedade nutre e a vida cresce", passou a ser feita por votação popular global. Essa estratégia aproximou a ciência da sociedade civil, permitindo que mães da Argentina à Índia se sentissem parte da mesma causa.

O congresso no Rio de Janeiro também aborda temas urgentes, como o impacto das mudanças climáticas e crises humanitárias na saúde materno-infantil. O objetivo é fortalecer respostas globais que garantam que, independentemente da crise externa, o alimento essencial chegue a quem mais precisa.

A doação de leite humano é um ciclo de solidariedade que sustenta o futuro. Ao conscientizar uma única lactante sobre a importância de não descartar o seu excedente, a rede não apenas salva uma vida, mas fortalece a saúde pública de forma sustentável e humana.

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