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Saúde

Doença celíaca: o diagnóstico silencioso que afeta 1,7 milhão de brasileiros

Cerca de 1,7 milhão de brasileiros podem ter doença celíaca sem saber. Entenda os sinais silenciosos, os riscos da contaminação e os novos avanços no SUS.

16 mai 2026 - 12h21 Joice Gomes   atualizado às 12h23
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Doença celíaca: o diagnóstico silencioso que afeta 1,7 milhão de brasileiros A doença celíaca exige dieta rigorosa e atenção total à contaminação cruzada em alimentos. (Imagem: gerado por IA)

Aproximadamente 1,7 milhão de brasileiros convivem hoje com uma condição crônica que pode estar comprometendo silenciosamente sua saúde sem que eles sequer suspeitem do motivo. A doença celíaca, celebrada mundialmente neste sábado (16) como foco de conscientização, esconde-se sob a forma de sintomas comuns, mas carrega um risco real de complicações graves quando ignorada.

A condição é uma enfermidade autoimune desencadeada pelo glúten, proteína presente no trigo, centeio e cevada. Em pessoas com predisposição genética, o consumo dessa substância gera uma reação inflamatória que destrói as vilosidades do intestino delgado. Na prática, isso significa que o corpo perde a capacidade de absorver nutrientes essenciais, abrindo porta para uma cascata de problemas de saúde.

Mas o impacto vai muito além do trato digestivo. Segundo a nutricionista Carolina Ribeiro, a doença é frequentemente descrita como “camaleônica” pela facilidade com que se disfarça. Enquanto alguns sentem dores abdominais e diarreia, outros podem apresentar apenas uma anemia que não cede a tratamentos, aftas recorrentes ou até dificuldades de fertilidade e atraso no crescimento infantil.

O que está por trás do subdiagnóstico no Brasil

O cenário brasileiro é desafiador: estima-se que apenas 2 a cada 10 celíacos possuam o diagnóstico correto. Essa lacuna de 80% no rastreamento acontece, em grande parte, pelo desconhecimento generalizado sobre a diversidade de sintomas. O paciente médio passa anos saltando de consultório em consultório em busca de uma resposta que, muitas vezes, está em um simples exame de sangue seguido de endoscopia.

E é aqui que está o ponto central: quanto mais tempo o diagnóstico demora, maior o risco de o paciente desenvolver quadros severos de desnutrição ou até mesmo câncer intestinal. A identificação precoce não é apenas uma questão de bem-estar, mas uma medida preventiva contra danos irreversíveis ao organismo.

O que muda na prática com o tratamento rigoroso

Atualmente, não existe pílula ou vacina para a doença celíaca. O único tratamento eficaz é a exclusão total e permanente do glúten da dieta. No entanto, o desafio vai além de trocar o pão francês por uma versão sem farinha de trigo. A chamada contaminação cruzada é o grande vilão invisível enfrentado pelos pacientes no cotidiano.

Um utensílio de cozinha mal lavado ou uma superfície que teve contato com farinha pode ser suficiente para desencadear a reação autoimune. Por isso, o tratamento exige uma reorganização completa da rotina familiar e um monitoramento constante de rótulos e processos de fabricação de alimentos, o que torna a vida social um campo de desafios constantes.

Por que isso importa agora: avanços e direitos

O cenário começa a mudar com a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) pelo Ministério da Saúde em 2025. O documento é um marco, pois padroniza o atendimento e o diagnóstico dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que mais brasileiros tenham acesso aos exames necessários sem depender exclusivamente da rede privada.

No campo legislativo, propostas como a criação de uma Política Nacional de Atenção Integral à Pessoa com Doença Celíaca e a implementação de selos identificadores em produtos da agricultura familiar buscam trazer mais segurança alimentar. Iniciativas como o projeto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também trabalham para levar esse conhecimento técnico para fora dos muros acadêmicos.

O caminho para uma vida plena após o diagnóstico é perfeitamente possível, mas exige que a sociedade compreenda que a dieta sem glúten, para o celíaco, não é uma escolha estética ou tendência passageira. Garantir o acesso à informação e a alimentos seguros é, acima de tudo, assegurar o direito fundamental à saúde e à cidadania de milhões de brasileiros.

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