0:00 Ouça a Rádio
Qua, 15 de Julho
Abuso não

Rio sanciona lei que obriga motoristas a agir contra o assédio em transportes e aplicativos

O Rio de Janeiro implementa nova lei que obriga motoristas de ônibus e apps a intervir em casos de abuso contra mulheres, garantindo auxílio e acionamento policial.

18 abr 2026 - 12h08 Joice Gomes   atualizado às 12h09
Rio sanciona lei que obriga motoristas a agir contra o assédio em transportes e aplicativos Novas regras no Rio de Janeiro estabelecem protocolos rígidos contra o assédio em ônibus, táxis e carros de aplicativo. (Imagem: gerado por IA)

A partir de agora, o medo que muitas mulheres sentem ao embarcar em um ônibus ou solicitar um carro por aplicativo no Rio de Janeiro ganha um anteparo legal robusto. A nova Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Abuso contra Mulheres no Transporte Coletivo, sancionada nesta sexta-feira (17), transforma a conduta de motoristas e profissionais do setor em uma peça-chave da rede de segurança pública.

A legislação, publicada no Diário Oficial pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, não se limita a boas intenções. Ela estabelece obrigações diretas para condutores de transporte coletivo, taxistas e motoristas de aplicativos, que agora possuem o dever legal de intervir e acolher vítimas de assédio.

Na prática, isso muda mais do que parece. Onde antes imperava o silêncio ou a dúvida sobre como agir, agora existe um protocolo claro de assistência e acionamento imediato das autoridades policiais. O objetivo é que o interior dos veículos deixe de ser um cenário de vulnerabilidade para se tornar um espaço monitorado e protegido.

O que muda na prática para passageiras e motoristas

A lei, de autoria da deputada Lilian Behring (PCdoB), nasceu da escuta ativa de passageiras que relatam o transporte público como um dos ambientes mais hostis do cotidiano urbano. Com a nova regra, a prioridade máxima em casos de abuso passa a ser o acolhimento da vítima e a interrupção imediata da violência.

A capacitação surge como o ponto central da mudança. Profissionais do setor passarão por treinamentos específicos para identificar comportamentos de risco e agir com rapidez. "Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de violência e garantir proteção à vítima", destaca a parlamentar, reforçando que o preparo técnico evita a omissão.

Além da ação humana, a infraestrutura do Estado também será adaptada. O Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro) ficará responsável por manter um canal de orientação e recebimento de denúncias, facilitando o caminho entre a agressão sofrida e a resposta do poder público.

Por que isso importa agora

O impacto vai além da punição ao agressor; trata-se de reformular a percepção de segurança no deslocamento diário. Ao transformar motoristas em agentes de proteção treinados, o Estado amplia seu braço de vigilância em locais onde a polícia nem sempre consegue estar presente em tempo real.

E é aqui que está o ponto central: a lei busca transformar a estrutura física do transporte em uma rede de proteção real. Ao facilitar o acesso aos mecanismos de denúncia dentro do próprio sistema de transporte, a lei remove barreiras burocráticas que muitas vezes desestimulavam as vítimas de buscar justiça.

Com essa medida, o Rio de Janeiro tenta reverter estatísticas alarmantes de violência de gênero e sinaliza que a mobilidade urbana deve ser, antes de tudo, um direito exercido com dignidade. O sucesso da iniciativa dependerá agora da rigorosa fiscalização e da adesão das empresas de transporte ao novo modelo de conduta.

Mais notícias
Surto de parasita perigoso nos EUA faz redes suspenderem o uso de alface
Saúde Surto de parasita perigoso nos EUA faz redes suspenderem o uso de alface
Senado aprova MP que endurece fiscalização do frete mínimo rodoviário
Transportes Senado aprova MP que endurece fiscalização do frete mínimo rodoviário
PF indicia "Careca do INSS" e ex-presidente do órgão por descontos ilegais em aposentadorias
Policial PF indicia "Careca do INSS" e ex-presidente do órgão por descontos ilegais em aposentadorias
Fies abre inscrições para o segundo semestre com novas regras de cobrança e vagas sociais
Fies 2º Semestre Fies abre inscrições para o segundo semestre com novas regras de cobrança e vagas sociais
Prazo para pagar taxa de inscrição da Prova Nacional Docente termina nesta terça-feira
Prazo encerra hoje Prazo para pagar taxa de inscrição da Prova Nacional Docente termina nesta terça-feira
Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Direitos Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Brasil envia 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária para Cuba
Humanitário Brasil envia 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária para Cuba
Proteína sindecam-4 é identificada por cientistas como chave para frear metástase do câncer
Científico Proteína sindecam-4 é identificada por cientistas como chave para frear metástase do câncer
El Niño deve encarecer conta de luz no Brasil e afetar até beneficiários da Tarifa Social
Clima El Niño deve encarecer conta de luz no Brasil e afetar até beneficiários da Tarifa Social
Catadoras de mangaba enfrentam expansão urbana e defendem território tradicional em Aracaju
Extrativismo Catadoras de mangaba enfrentam expansão urbana e defendem território tradicional em Aracaju
Mais Lidas
Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Convocação Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Empregos Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
Loterias Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato
Emendas PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato