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Ter, 06 de Outubro
Cotidiano

Cesta básica fica mais cara em fevereiro em 14 capitais, com São Paulo liderando custo e feijão em forte alta

09 mar 2026 - 14h53 Joice Gomes   atualizado às 14h55
Cesta básica fica mais cara em fevereiro em 14 capitais, com São Paulo liderando custo e feijão em forte alta A cesta básica ficou mais cara em 14 capitais em fevereiro, puxada por feijão e carne bovina. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A cesta básica registrou aumento de preço em 14 capitais brasileiras no mês de fevereiro, refletindo a pressão de alimentos essenciais no orçamento das famílias.

De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Dieese em parceria com a Conab, outras 13 capitais, incluindo o Distrito Federal, apresentaram recuo no custo médio da cesta básica.

O movimento de alta é puxado principalmente pelo feijão, que teve aumento em praticamente todo o país, e pela carne bovina de primeira, itens que compõem o núcleo da alimentação da população.

O que mostrou a nova pesquisa do Dieese

O levantamento aponta que, em fevereiro, a maior elevação da cesta básica ocorreu em Natal, com variação de 3,52% no custo médio dos produtos alimentares essenciais.

Também tiveram altas relevantes João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%) e Vitória (1,79%), indicando um avanço de preços especialmente intenso em capitais do Nordeste.

No outro extremo, Manaus registrou a maior queda, com recuo de 2,94% na cesta básica, seguida por Cuiabá, com -2,10%, e Brasília, com -1,92%, evidenciando um comportamento desigual dos preços entre as regiões.

Quando se considera o acumulado do ano até fevereiro, 25 cidades monitoradas tiveram alta no custo da cesta básica, enquanto um número bem menor registrou queda, com destaque para Rio de Janeiro, Aracaju e Vitória entre as maiores elevações.

Feijão e carne lideram pressão de preços

Um dos principais destaques do levantamento é o comportamento do feijão, apontado como um dos grandes responsáveis pela alta da cesta básica em fevereiro.

O grão teve aumento de preço em 26 unidades federativas, com exceção de Boa Vista, onde o quilo recuou 2,41%, mostrando um cenário generalizado de encarecimento do produto.

Em Campo Grande, a alta foi especialmente expressiva: o quilo do feijão subiu 22,05%, resultado atribuído a oferta restrita, dificuldades de colheita e menor área plantada em comparação ao ano passado.

A carne bovina de primeira também encareceu em 20 cidades, influenciada tanto pela menor disponibilidade de animais prontos para abate quanto pelo bom desempenho das exportações, que sustenta preços mais altos no mercado interno.

Onde a cesta básica está mais cara e mais barata

Em termos de valor absoluto, a cesta básica mais cara do país em fevereiro foi registrada em São Paulo, onde o custo médio alcançou R$ 852,87, o que pressiona especialmente famílias de menor renda.

Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com R$ 826,98, Florianópolis, com R$ 797,53, e Cuiabá, com R$ 793,77, todas acima de R$ 790, faixa considerada elevada para padrões de renda médios do país.

Nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica é diferente, os menores valores médios foram observados em Aracaju, com R$ 562,88, Porto Velho, com R$ 601,69, Maceió, com R$ 603,92, e Recife, com R$ 611,98.

Apesar dos menores patamares de preços nessas capitais, o peso da cesta básica sobre a renda continua significativo, considerando que salários médios e níveis de formalização costumam ser mais baixos nessas regiões.

Impacto sobre o salário mínimo e o custo de vida

Tomando como referência a cesta básica mais cara do país, a de São Paulo, o Dieese calcula um salário mínimo necessário de R$ 7.164,94 para cobrir despesas de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Esse valor estimado é 4,42 vezes superior ao salário mínimo em vigor, de R$ 1.621, o que evidencia a distância entre o rendimento base e o custo de vida apontado pela Constituição como adequado.

Na prática, o avanço da cesta básica corrói o poder de compra de grande parte da população, que precisa redimensionar o consumo, priorizar itens essenciais e, muitas vezes, substituir alimentos tradicionais por alternativas mais baratas.

Esse movimento pode ter reflexos na qualidade nutricional das refeições, sobretudo em famílias que dependem quase exclusivamente do salário mínimo ou de rendas próximas a esse patamar.

O que pode acontecer daqui para frente

O comportamento da cesta básica nos próximos meses dependerá de fatores como a evolução das condições climáticas sobre as safras, o ritmo das exportações de alimentos e a política de estoques e abastecimento interno.

Se as dificuldades de colheita e a menor área de produção de itens como o feijão persistirem, a tendência é de manutenção da pressão de preços, ainda que em ritmos diferentes entre estados e capitais.

No caso da carne bovina, a continuidade de exportações aquecidas e a oferta reduzida de animais podem seguir influenciando o valor da cesta básica, sobretudo em regiões onde o consumo de carne é mais intenso.

Os dados do Dieese e da Conab seguem como referência importante para acompanhar o custo da alimentação e orientar políticas públicas de renda, segurança alimentar e combate à pobreza, em um cenário em que a variação da cesta básica impacta diretamente o cotidiano das famílias.

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