Iniciativa distribui centenas de obras para reforçar o acervo de salas de leitura e bibliotecas comunitárias
(Imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil)
Os organizadores do principal evento literário do Rio de Janeiro desenvolveram uma estratégia inovadora para atrair a atenção do público infantil durante o período letivo. Pegando carona no entusiasmo gerado pelos campeonatos esportivos internacionais, o projeto itinerante Bienal nas Escolas iniciou uma maratona de visitas a colégios da zona norte da capital fluminense. A ação ocorre de forma inédita em um ano par, movimentando o ambiente escolar fora do calendário tradicional da feira.
A dinâmica introduzida nas salas de aula utiliza um livreto de colecionador adaptado com astros da literatura mundial no lugar de jogadores de futebol. Os estudantes recebem pacotes com cromos ilustrados de figuras consagradas do imaginário popular, como detetives famosos, fadas e heróis da mitologia nacional. O intercâmbio de imagens entre os alunos funciona como um gatilho lúdico para despertar a curiosidade pelas narrativas originais guardadas nas estantes.
O diálogo com autores e a força da bienal do livro
A coordenação da atividade, mantida pelo sindicato dos editores em parceria com corporações de feiras comerciais, planeja atingir milhares de jovens na faixa de seis a dez anos. O cronograma de visitas inclui debates diretos com romancistas especializados em conteúdos pedagógicos e narrativas afrodidáticas. Os encontros servem para aproximar os estudantes dos profissionais da escrita, gerando identificação cultural imediata e estimulando o desenvolvimento do senso crítico desde os primeiros anos escolares.
O impacto das dinâmicas vai além do entretenimento em sala de aula, gerando reflexos práticos na estrutura pedagógica dos colégios atendidos. Cada unidade participante recebe a doação de uma centena de novos volumes literários patrocinados pela iniciativa privada, com o objetivo de equipar as bibliotecas internas. Os organizadores destacam que a meta é demonstrar a força da bienal do livro como um agente ativo de transformação social capaz de redefinir o comportamento cultural das comunidades.
Os relatórios estatísticos baseados nas edições anteriores revelaram um incremento expressivo de vinte e cinco por cento na retirada de publicações nas salas de leitura após a passagem do mutirão. Os resultados práticos confirmam que o formato de entretenimento associado ao prazer da descoberta literária consegue concorrer de forma eficiente com o tempo gasto pelas crianças diante de telas digitais. Novas parcerias institucionais estão sendo avaliadas para expandir o roteiro para municípios da Baixada Fluminense.