Público acompanha debates e sessões de autógrafos em frente ao estádio do Pacaembu durante feriado em SP.
(Imagem: gerado por IA)
A Praça Charles Miller, um dos marcos mais icônicos de São Paulo, transforma-se neste feriado de Corpus Christi no maior epicentro literário a céu aberto da capital. A quinta edição de A Feira do Livro chega com a proposta de democratizar o acesso à cultura, ocupando a frente do estádio do Pacaembu com uma estrutura que convida ao passeio e à reflexão até o próximo domingo (7).
Na prática, o evento vai muito além de uma simples exposição de títulos; é um festival de fôlego que reúne autores consagrados e novos talentos em uma agenda intensa de debates, oficinas e apresentações musicais. Para quem busca uma alternativa de lazer que combine conteúdo e leveza, o festival surge como uma parada obrigatória no roteiro paulistano.
Um dos momentos mais aguardados desta quinta-feira (4) ocorre às 18h, no Palco da Praça, com a presença do sambista e escritor Nei Lopes. Ele apresenta suas obras mais recentes, incluindo o fundamental Dicionário de Direitos Humanos e Afins, conectando a erudição das páginas com a pulsação da cultura brasileira.
O que está por trás dos debates políticos e da não ficção
Este ano, o festival reforça sua vocação para o pensamento crítico. Um dos grandes destaques internacionais é o cientista político judeu Norman G. Finkelstein, que desembarca pela primeira vez no Brasil para lançar a obra A Indústria do Holocausto. Ele será entrevistado pela jornalista Patrícia Campos Mello no Auditório Museu do Futebol, em um encontro que promete analisar as tensões contemporâneas entre o Holocausto e a questão palestina.
A política e o comportamento também ganham palcos dedicados. O filósofo Vladimir Safatle e o historiador Michel Gherman se reúnem no sábado, às 11h40, para dissecar os novos fascismos globais. Essa profundidade temática é o que diferencia o evento, transformando a praça em um espaço de resistência intelectual em tempos de polarização.
Nomes como Fernando Morais, biógrafo do presidente Lula, e a jornalista Erika Palomino, especialista em cultura urbana, também integram o time de convidados, garantindo uma diversidade de perspectivas que vai da política partidária à vida noturna das metrópoles.
Música e encontros: o que muda na experiência do visitante
Mas nem só de densidade vive o festival. A organização soube equilibrar o ritmo com momentos de puro entretenimento cultural. Logo após a fala de Nei Lopes nesta quinta, o Quinteto de Metais do Instituto Baccarelli sobe ao Espaço Motiva às 19h30, transitando entre o repertório clássico e o popular para embalar o entardecer no Pacaembu.
No sábado (6), a manhã começa com a sensibilidade de Zélia Duncan. A cantora e escritora conversa com Alice Granato sobre seu livro Benditas Coisas que Eu Não Sei, aproximando o público de sua trajetória literária. O evento se divide entre palcos principais, como o da Praça e o do Museu do Futebol, e tablados dedicados à programação paralela, como o Espaço Rebentos e o Mário de Andrade.
Como aproveitar sem estresse: transporte e logística
Para garantir que o fluxo de visitantes seja fluido e sustentável, a organização disponibilizou um serviço de transporte gratuito de vans. Os veículos fazem o trajeto contínuo entre o metrô e a feira, facilitando a vida de quem deseja evitar o trânsito da região ou a dificuldade de estacionamento.
Nos dias úteis, o embarque ocorre no acesso Belas Artes da Estação Paulista (Linha 4-Amarela), na Rua da Consolação, das 14h às 20h30. Já nos finais de semana e feriados, o serviço começa mais cedo, às 10h. É importante notar uma alteração pontual: no dia 7 de junho, o ponto de partida e retorno será deslocado para a Estação Oscar Freire.
O sucesso de A Feira do Livro sinaliza uma tendência crescente de ocupação dos espaços públicos por eventos que unem entretenimento e saber. Ao transformar a Praça Charles Miller em uma biblioteca viva, o festival não apenas movimenta o mercado editorial, mas reforça a identidade de São Paulo como uma cidade que respira cultura e não teme o debate de ideias, consolidando-se como um patrimônio do calendário paulistano.