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Sex, 11 de Setembro
Férias escolares

Férias sem sustos: como proteger as crianças de acidentes domésticos neste período

Com o recesso escolar, acidentes domésticos com crianças sobem até 25%. Saiba como blindar sua casa e agir rapidamente em casos de emergência.

17 jul 2026 - 08h34 Joice Gomes   atualizado às 08h39
Férias sem sustos: como proteger as crianças de acidentes domésticos neste período Prevenção dentro de casa é o caminho ideal para garantir a segurança dos pequenos nas férias escolares. (Imagem: gerado por IA)

O som do sinal indicando o início das férias escolares costuma vir acompanhado de alegria para as crianças, mas, para pais e responsáveis, o período exige atenção redobrada. Um estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revela um dado alarmante: o número de acidentes domésticos com os pequenos chega a subir até 25% durante os meses de recesso escolar. O dado mostra que o perigo, muitas vezes, mora nos detalhes da nossa própria rotina.

Com mais tempo livre dentro de casa, os momentos de lazer podem rapidamente se transformar em situações de risco. Quedas, queimaduras, intoxicações e afogamentos lideram as estatísticas de ocorrências em prontos-socorros, exigindo dos adultos uma postura muito mais preventiva do que reativa.

Na prática, isso muda mais do que parece. Pequenas adaptações nos ambientes e na forma de supervisionar os filhos fazem toda a diferença para garantir que o período de descanso não termine em tragédia.

O que está por trás do aumento de acidentes nas férias

A explicação para o crescimento dos acidentes domésticos nas férias é simples: a maior exposição ao risco. Segundo o primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), Victor Resque, a presença contínua das crianças em casa ou em áreas comuns de lazer eleva as chances de imprevistos. “Nós entendemos que a prevenção é a melhor opção para salvar vidas”, pontua.

A cozinha, por exemplo, deve ser tratada como uma área de acesso restrito. O uso de fogão desacompanhado e a curiosidade natural dos pequenos perto do fogo são receitas para queimaduras graves. O especialista também destaca que janelas, varandas e sacadas devem, obrigatoriamente, contar com telas de proteção bem instaladas, desencorajando o hábito de se projetar para o vão de queda.

Outro ponto crítico são os momentos de lazer na água. Para quem frequenta clubes ou tem piscina em casa, a regra de ouro é nunca deixar as crianças desassistidas. Além disso, o Corpo de Bombeiros recomenda o uso de coletes salva-vidas homologados em vez de boias infláveis de braço, que podem furar ou deslizar facilmente.

Como os riscos afetam cada faixa etária de forma diferente

Para agir na prevenção, é preciso entender que os perigos mudam de acordo com o crescimento dos filhos. A coordenadora médica da Pediatria do IMIP, Tereza Rebecca, explica que cada fase do desenvolvimento infantil tem suas próprias vulnerabilidades.

Enquanto os bebês são muito mais suscetíveis à ingestão de pequenos objetos e ao sufocamento, as crianças em idade pré-escolar e os maiores enfrentam perigos ligados à mobilidade, como quedas de sofás, camas ou escadas, além de acidentes graves em piscinas.

E é aqui que está o ponto central: os produtos de limpeza e medicamentos, altamente atraentes pelas cores e embalagens, precisam ficar guardados em armários suspensos ou trancados, longe do campo de visão e do alcance físico das crianças durante todo o ano, não apenas nas férias.

O que fazer (e o que jamais fazer) em caso de acidentes

Mesmo com toda a prevenção, imprevistos acontecem. Quando o susto bate à porta, manter a calma é o primeiro e mais difícil passo. “Tentar entender o que ocorreu de fato para agir sem desespero ajuda a manter a própria criança calma”, orienta a pediatra Tereza Rebecca.

Em caso de quedas, o comportamento do pequeno após o impacto dita a gravidade. Os adultos devem monitorar se há sinais de alerta como desmaios, vômitos ou convulsões. Se esses sintomas surgirem, a ida ao pronto-socorro deve ser imediata. Se for uma batida leve, apenas gelo local e observação bastam.

Em situações de queimaduras, um erro comum e perigoso é aplicar produtos caseiros como pasta de dente, manteiga ou pomadas sem prescrição médica. A recomendação correta é apenas lavar a área com água corrente fria e buscar ajuda médica. Se houver suspeita de intoxicação por produtos químicos ou remédios, leve a embalagem do produto junto com a criança ao serviço de urgência.

A vida real: o desafio de conciliar home office e segurança

Garantir essa vigilância constante é um desafio ainda maior para quem trabalha em modelo home office. A confeiteira Renata Solano, mãe de Lucas, de 5 anos, encontrou na reorganização de horários a saída para manter o filho seguro. Durante as férias, ela transfere a produção para o período da manhã, quando divide os cuidados com o marido, liberando a tarde para dar atenção ao menino.

Por trabalhar com fornos quentes, a cozinha de Renata é estritamente proibida para o filho. A casa também conta com tomadas vedadas, fiações ocultas e travas em gavetas com utensílios perigosos. “Como já passamos por essa fase com nossa filha mais velha, a Nicole, a casa já estava adaptada”, conta.

Já a autônoma Cintia Maria, mãe de Bernardo, de 8 anos, e Elen, de 7, foca em regras claras dentro de casa, como proibir saltos em sofás e limitar a força do balanço na rede. Para conciliar com a rotina de trabalho em sua pousada, Cintia costuma levar as crianças com ela, montando uma sala de cinema improvisada para mantê-los por perto e protegidos.

Lembre-se: em cenários de risco iminente ou acidentes graves, o socorro rápido é vital. Deixe sempre anotados e acessíveis os contatos do Samu (192) e do Corpo de Bombeiros (193). Afinal, o melhor cuidado é aquele que protege sem tirar a alegria que as férias merecem ter.

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