Tiffany Abreu na Superliga Feminina
(Imagem: Foto: Reprodução X)
A jogadora de vôlei Tiffany Abreu voltou a ficar impedida de disputar competições nacionais organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Nesta sexta-feira (23), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) rejeitou por unanimidade o pedido apresentado pela atleta, enquanto o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) suspendeu a liminar que havia autorizado sua participação nos jogos do Osasco.
As duas decisões alteraram o cenário jurídico que permitiu à atleta atuar na Supercopa Feminina, contra o Praia Clube, e na estreia do Osasco na Superliga 2026/2027, diante do Brasília. Com a suspensão da liminar e a decisão da Justiça desportiva, Tiffany não poderá entrar em quadra nas competições abrangidas pelas determinações em vigor.
Entenda a decisão envolvendo Tiffany Abreu
A liminar favorável à jogadora havia sido concedida em 16 de outubro pela Justiça comum, permitindo sua participação provisória nas competições organizadas pela CBV. A medida foi tomada depois que a inscrição da atleta para a temporada ficou pendente em razão das novas regras de elegibilidade da confederação.
No julgamento realizado nesta sexta-feira, o STJD manteve o entendimento de que a CBV tem autonomia para estabelecer e atualizar os critérios de participação em seus torneios. O tribunal considerou que o histórico de atuação da jogadora em temporadas anteriores e a existência de contrato profissional com o Osasco não impedem, por si só, a adoção de novas regras.
Paralelamente, o TJRJ suspendeu a liminar concedida anteriormente. A decisão levou em consideração o artigo 217 da Constituição Federal, que estabelece a necessidade de esgotamento das instâncias da Justiça desportiva antes da análise judicial de questões relacionadas à disciplina e às competições esportivas.
Novas regras da CBV estão no centro da disputa
O impasse começou em agosto, quando a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para as competições femininas. As normas restringem a participação na categoria com base em critérios relacionados ao sexo biológico e incluem exigências de avaliação genética.
A confederação afirmou que as diretrizes adotadas estão alinhadas a critérios técnicos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
A aplicação das novas regras motivou a contestação da atleta, que atua no vôlei feminino brasileiro desde 2017. Tiffany defende o direito de continuar participando das competições e recorreu às instâncias esportivas e judiciais para tentar reverter o impedimento.
O caso envolve discussões sobre regulamentação esportiva, critérios de elegibilidade e os direitos de atletas trans. A controvérsia permanece sujeita a novos desdobramentos judiciais.
CBV afirma que cumprirá as decisões
Em posicionamento divulgado após as decisões, a Confederação Brasileira de Voleibol afirmou que cumpriu integralmente a determinação judicial anterior, que autorizava provisoriamente a participação de Tiffany, e que continuará respeitando as decisões do Poder Judiciário e da Justiça desportiva.
A situação ainda poderá ser contestada pela defesa da atleta, de acordo com as informações divulgadas pela imprensa esportiva. Até que haja uma nova decisão que modifique o cenário, permanece o impedimento de Tiffany nas competições abrangidas pelas determinações em vigor.
Osasco enfrenta o Mackenzie pela Superliga
Sem Tiffany, o Osasco tem compromisso marcado contra o Mackenzie neste sábado (24), às 16h, em Belo Horizonte, pela segunda rodada da Superliga Feminina.
A partida ocorre em meio à repercussão das decisões envolvendo a jogadora, cujo caso segue em discussão nas esferas esportiva e judicial.