Formiga, lenda da Seleção Brasileira, defende que a nova parceria sirva de modelo para a descentralização do futebol feminino no Brasil.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O futebol feminino brasileiro acaba de dar um passo estratégico rumo à consolidação de sua profissionalização. A Federação Paulista de Futebol (FPF) firmou uma cooperação inédita com a Liga F, a prestigiada primeira divisão do futebol feminino da Espanha, para acelerar o desenvolvimento técnico e mercadológico da modalidade.
Oficializada durante o encontro "Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino", na capital paulista, a parceria mira um intercâmbio amplo e de longo prazo. Na prática, isso muda mais do que parece para a estrutura dos clubes e das atletas no Brasil.
O acordo prevê uma verdadeira imersão mútua, com foco na formação de profissionais, capacitação administrativa, desenvolvimento da arbitragem feminina, além de pesquisas de mercado e visitas técnicas detalhadas.
O que muda na prática para o futebol de mulheres
Longe de ser apenas um protocolo diplomático, a cooperação visa conectar o que há de mais moderno na gestão esportiva europeia com a potência reveladora de talentos do cenário paulista. E é aqui que está o ponto central: a internacionalização de marcas e competições.
Com esse intercâmbio ativo, treinadoras, gestores e árbitras paulistas terão acesso direto aos modelos de negócios e treinamento que tornaram o futebol espanhol uma potência mundial, com títulos recentes de relevância global.
"A FPF já possui uma parceria de longa data com La Liga, mas sentíamos a necessidade de falar especificamente sobre o futebol de mulheres", destacou Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, enfatizando o pioneirismo paulista, que conta com uma diretoria voltada exclusivamente à categoria desde 2016.
O modelo de compartilhamento e o impacto nacional
Diferente de uma simples importação de conceitos, a dinâmica do acordo baseia-se na reciprocidade. Para a presidente da Liga F, Beatriz Álvarez, o interesse paulista na estrutura europeia é motivo de orgulho, mas o foco é a troca mútua de experiências vitoriosas.
Mas o impacto vai além das fronteiras de São Paulo. Presente no evento, a lendária ex-jogadora Formiga defendeu que os avanços paulistas precisam ser descentralizados com urgência, servindo de modelo para estados que ainda carecem de investimentos mínimos.
A atleta com mais participações em Copas do Mundo na história apontou que o maior desafio atual é a expansão das categorias de base fora do eixo das capitais. Segundo ela, garantir estrutura local evita que jovens talentos migrem despreparados ou sem amparo familiar.
O que pode acontecer a partir de agora
A aproximação entre Brasil e Espanha promete acelerar a maturação do mercado interno. Com a proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá sua abertura no Maracanã, o fortalecimento institucional se mostra oportuno e urgente.
A expectativa é que o intercâmbio gere novos formatos de torneios de base e eleve a qualidade da arbitragem local, mitigando disparidades históricas. O futebol de mulheres consolida-se de vez como um ativo esportivo e de negócios de altíssimo valor para o futuro.