Taça do Brasileirão Feminino Série A3.
(Imagem: Reprodução/CBF/Divulgação)
A final do Brasileirão Feminino Série A3 começou com drama de sobra e consagrou uma heroína improvável embaixo das traves em Aparecida de Goiânia. Com uma defesa de pênalti salvadora nos acréscimos, o Planalto (GO) bateu o Juventude (SE) por 1 a 0 no jogo de ida da grande decisão e abriu vantagem na busca pelo título inédito. Aberto e disputado, o confronto mostrou que o futebol de base nacional vive um momento de amadurecimento técnico perceptível.
O duelo no Estádio Anibal Batista de Toledo desenhou um cenário de pura tensão do início ao fim. O gol solitário da partida saiu logo no começo do jogo, após um vacilo defensivo que definiu os rumos do confronto. A jogada decisiva começou em um escanteio curto. Marcelly recebeu a bola e cruzou fechado na área; a goleira Monique, do Juventude, acabou falhando na interceptação, e a bola foi parar no fundo da rede, garantindo a festa das donas da casa.
O drama dos acréscimos e a consagração de uma heroína
Mas o verdadeiro teste cardíaco para a torcida goiana estava reservado para o apagar das luzes. Aos 51 minutos do segundo tempo, após muita confusão e uma longa revisão do VAR, a arbitragem assinalou pênalti a favor das sergipanas. Na prática, o lance poderia mudar toda a dinâmica do campeonato.
A responsabilidade da cobrança caiu sobre Manu, mas quem brilhou foi a goleira Lescaut. Com muito reflexo, a arqueira do Planalto defendeu a penalidade, vendo a bola ainda tocar caprichosamente na trave antes de se perder pela linha de fundo. A explosão de alegria no estádio coroou uma atuação resiliente da equipe mandante.
O que está por trás da decisão em Aracaju
Com a vitória magra, o Planalto joga por um empate no segundo confronto para levantar a taça mais importante de sua história. O duelo decisivo está marcado para o dia 5 de setembro, às 21h30, na Arena Batistão, em Aracaju. E é aqui que o favoritismo se divide na prática.
O Juventude, dono da melhor campanha geral do torneio, aposta na força de sua torcida para reverter o placar. Vale lembrar que não há vantagem de gols qualificados: qualquer vitória sergipana por um gol de diferença leva a disputa diretamente para os pênaltis, o que promete um Batistão completamente pulsante.
O impacto do acesso e a rota histórica rumo à Série A2
Independentemente de quem erguer o troféu, ambas as equipes já têm motivos de sobra para comemorar, pois garantiram vaga na Série A2 em 2027. O torneio começou com 32 clubes e reservou grandes histórias de superação ao longo de suas fases.
Entre os destaques históricos está a Portuguesa do Amapá. Mesmo eliminada na semifinal pelo Juventude, a equipe amapaense fez história ao se tornar o primeiro clube do estado a carimbar uma vaga em uma divisão nacional do futebol brasileiro, um feito gigante para a região Norte.
O Realidade Jovem, de São Paulo, foi o outro semifinalista que, apesar de cair diante do embalado Planalto, assegurou o seu retorno à divisão de acesso nacional, consolidando o fortalecimento do esporte pelo país. A Série A3 se aproxima de seu desfecho consolidando novos polos de desenvolvimento no futebol feminino. Resta agora saber se a resiliência defensiva do Planalto segurará a pressão em Sergipe, ou se o Juventude fará valer sua campanha impecável em casa para dar início a uma nova era de glórias no Nordeste.