Jogadores brasileiros celebram vaga que abre caminho para marco inédito na história da Libertadores.
(Imagem: CBF/Divulgação)
O futebol brasileiro está diante da oportunidade real de consolidar um monopólio sem precedentes na Copa Libertadores da América. Com a emocionante definição das oitavas de final, o país manteve quatro representantes vivos nas quartas de final, abrindo espaço para que, pela primeira vez na história do torneio continental, as semifinais sejam disputadas exclusivamente por clubes do Brasil.
Esse cenário inédito ganhou força de forma dramática com a classificação do Corinthians na Neo Química Arena. Mesmo jogando grande parte do segundo tempo com um jogador a menos devido à expulsão de Raniele, o Alvinegro superou as adversidades e derrotou o Rosario Central por 1 a 0, assegurando a vaga após o empate sem gols na Argentina.
O lance decisivo contou com o brilho do astro holandês Memphis Depay, recém-renovado com o clube, que cobrou a falta que originou o gol salvador do jovem volante Breno Bidon. Agora, os paulistas terão outro obstáculo argentino pela frente: o Estudiantes de La Plata, decidindo a sobrevivência fora de casa.
O que está por trás do possível domínio brasileiro
Além do Corinthians, gigantes como Flamengo, Palmeiras e Fluminense compõem o bloco nacional que desafia a América. A distribuição do chaveamento desenhou um roteiro fascinante: de um lado, o Flamengo de Tite pode cruzar o caminho do Timão; do outro, Palmeiras e Fluminense ensaiam um confronto de proporções gigantescas.
No entanto, o caminho até a glória perfeita exige superar provações tradicionais do continente. O Palmeiras, atual vice-campeão, precisará enfrentar os temidos 2.850 metros de altitude de Quito para decidir sua sorte contra a LDU. Já o Fluminense medirá forças com o Platense, em mais um duelo de forte apelo físico e mental.
Por que isso importa agora
Até hoje, o teto de hegemonia de um único país nas semifinais foi de três clubes, marca registrada pela Argentina em 1966 e pelo próprio Brasil em 2021. Naquela ocasião, o Barcelona de Guayaquil barrou o Fluminense nas quartas de final e impediu o quadrado nacional perfeito. Em 2026, a chance de redenção e afirmação do poder financeiro e técnico do futebol brasileiro nunca foi tão real.
Enquanto a principal competição das Américas promete fortes emoções, a Copa Sul-Americana trouxe um gosto agridoce. O Botafogo venceu o Cienciano por 1 a 0 no Rio de Janeiro, mas acabou eliminado devido à goleada sofrida na altitude do Peru. Apesar da queda do Glorioso, o Brasil ainda mantém quatro forças vivas na Sul-Americana, garantindo protagonismo duplo no continente.
O que se desenha para as próximas semanas é mais do que a simples disputa por taças; é a redefinição das forças geopolíticas do futebol sul-americano. Se os quatro representantes confirmarem o favoritismo nas quartas de final, a Libertadores coroará não apenas um clube, mas uma era de hegemonia incontestável do futebol brasileiro na América do Sul.